29 de dezembro de 2015

Feliz Brasil 2016!


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Artigos do colóquio Narrativas Interativas

27 de fevereiro de 2014

Chamada de Textos: INTERACTIVE NARRATIVES, NEW MEDIA AND SOCIAL ENGAGEMENT



Call for Papers: International conference “Interactive Narratives, New Media and Social Engagement”   
Date: October 24th and 25th, 2014
Place: Victoria College, University of Toronto, Canada
Submission deadline: May 1st, 2014

An interdisciplinary conference for researchers and practitioners.

How has the digital screen changed our world in general and narrative and visual arts in particular is the broad focus of the second Department of Spanish and Portuguese at the University of Toronto and BRAFFTV Film and Media international Conference.

We are interested, for instance, in the evolution of narrative practices from text-based literature to the advent of the digital revolution as storytelling moves from literacy to so-called post-literacy.

The prevalence of new interactive digital narrative in all areas from games, to literature, to films, to video art has resulted in new forms of storytelling and, accordingly, provoked new practices of reading that transforms readers/viewers into active collaborators.

We are interested in exploring transmedia, intermediality, the role of social media and digital globalization as well as narratives in games and graphic novels. Also, the impact of the digital screen on art and new exhibition practices.

Physical public space is increasingly being substituted or augmented by virtual space through digital screens (e.g. video, film, computer). What effect do these new developments have on social space, seen here as encompassing both physical public spaces (streets, hotels, coffee shops) as well as virtual space (YouTube, Vine, Facebook, Twitter, Tumblr, Orkut, etc.)? How do these novel practices effect previously clearly demarcated frontiers between the public and the private?

Throughout the world, from Brazil to Turkey to Canada, we have recently witness the influence of social media on political participation. How have these new platforms engendered innovative forms of expression?

The Conference aims to bring together researchers, practitioners and theorists for a two-day conference at Victoria College at the University of Toronto on October 24-25. The presented papers will be evaluated for possible inclusion in a special issue of a journal on the proceedings.

The following key topics/areas will be emphasized during the conference:

1. Intermediality, Transmedia and Remediation
2. Expanded Cinema and Digital Screen Aesthetics
3. Transnational Cinema and International Co-Productions
4. Digital Animation and Games: Narrative and Interactivity
5. Snack Media, Mobile Screens, Micro Movie, and Microblogging
6. Social Media Engagement and New Technologies
7. Hacktivism and Political Engagement
8. Digital Art and Literature (eBooks, eReaders)
9. Communication and New Media

SUBMITTING PROPOSALS:
Send an Abstract (between 180 and 300 words in length including the research objectives, theoretical framework and methodology) and Brief Bio-CV (100 words maximum) by May 1st, 2014 to brafftvconference@gmail.com Each proposal must include title, name(s), affiliation, institutional address and email addresses of the author(s).

Travel and accommodation costs will be covered by participants. The organizers will, on request, provide the necessary letters for the purposes of issuing visas to foreign visitors. 

Further information on our previous conference visit the website: brafftv.com/en/conference.html




5 de maio de 2012

Contradições e Conflitos do Hotdocs 2012


Jackie Siegel (segurando um dos seus oito filhos)


A Rainha de Versailles (Queen of Versailles, USA, 2012), documentário dirigido por Lauren Greenfield, bateu o recorde de bilheteria no tradicional cinema Bloor, um dos maiores e antigos cinemas de Toronto e recentemente reformado pelo Hotdocs. O filme é uma dessas preciosidades escondidas atrás de um título pomposo e à primeira vista superficial. O trabalho da documentarista Greenfield se revela muito mais atento e minucioso e nos revela uma personagem rica de contradições, manieirismos e sutilezas. Nunca sabemos até onde a socialite Jackie Siegel é completamente verdadeira diante da câmera ou o quanto ela constrói uma "persona" que não tem nada de superficial e faz frente aos grandes personagens que o cinema de Hollywood é capaz de produzir.

Podemos falar também neste documentário do fator sorte, a intenção inicial da diretora Greenfield, antiga fotógrafa da revista Elle, era fazer um filme sobre a construção na Flórida da maior residência dos Estados Unidos, inspirada no palácio de Versailles e com vista para a Disneylândia, no valor de mais de 100 milhões de dólares. No entanto, com a confiança que adquiriu com os entrevistados, Jackie e seu marido David Siegel, ela pôde testemunhar um dos momentos mais dramáticos da história dos Estados Unidos: a queda da economia americana de 2008. As consequências para essa família – considerada como uma das mais poderosas e que foi capaz de decidir as eleições presidenciais a favor de George W. Bush – foram catastróficas. Nesta recessão e adaptação aos altos e baixos, as contradições humanas ganham volume e se ajustam às contradições e conflitos financeiros que se seguem. Tanto o maior hotel-resort de Las Vegas vem abaixo quanto o palacete semi-construído da Flórida se revela como um dos maiores elefantes brancos e (sem-querer) símbolo desta derrocada econômica. A compreensão da mentalidade do povo americano, entre o começo humilde à acensão à riqueza "absurda", tanto quanto os valores "humanos" que o dinheiro pode comprar se mostram à nu neste filme imperdível.

"Ela compra compulsivamente e coleciona tudo... até filhos," diz o marido. "Se eu não tivesse babá eu teria um ou no máximo dois filhos, mas com babá tudo fica fácil," contrapõe Jackie, na época que havia à sua disposição uma babá para cada filho.




E-Phil (manifestante) e Emad Burnat

(documentarista à direita com a camera com a bandeira do Brasil)
Do outro lado do mundo, segue uma guerra com proporções absolutamente incompreensíveis. O conflito na Faixa de Gaza entre Israel e Palestina dura muito tempo diante de uma sociedade mundial estarrecida e impotente. Sem saber como definir quem é o herói e quem é o vilão, os dois lados desta guerra acabam se encontrando no filme 5 Câmeras Quebradas (5 Broken Cameras / Hams Cameraten Maksura / Hamesh Matzlemot Shvurot, Israel/Palestina, 2012) dos documentaristas israelense Guy Davidi e palestino Emad Burnat. Emad é um jornalista testemunha de seu tempo e de sua própria miséria. Ele encontrou sua força de resistência e de luta através do registro videográfico das demonstrações palestinas contra a invasão israelense na cidade de Bil'al.

As câmeras são vítimas deste testemunho e vão se quebrando e sendo substituídas ao longo de cinco anos. Em muitos casos elas receberam um tiro certeiro no meio do "olho" de suas lentes, e uma com a bandeira brasileira colada no seu "corpo" ainda guarda a bala no seu interior como testemunha da violênciae da milícia israelense.

Israel decretou que a cidade de Bil'al é uma zona militar e todos palestinos que insistirem a continuar em suas casas seão considerados infratores e invasores. Para aumentar o caos e fazer valer a lei os militares invadem casas durante à noite, criando terror na população e constrõem muros que impedem a livre circulação dos habitantes. Do outro lado do muro, as oliveiras são queimadas e arrancadas para dar lugar à conjuntos habitacionais. Emad é casado com uma brasileira, e assim vemos o nome e os símbolos nacionais do Brasil por todos os lados da casa e roupas dos familiares, e ouvimos vez por outra umas palavras em português como: Minha Vida. Emad filma o tempo todo mas com um status ambíguo entre jornalista e manifestante, a milícia sempre acaba por prendê-lo, já que ele consegue filmar e testemunhar fatos e atrocidades que nenhuma outra câmera jamais pôde registrar e que infelizmente nenhuma outra mídia quiz mostrar. Aqui é o próprio documentário como instrumento de resistência e mídia alternativa.

Entre a indignação e o espanto, Emad se coloca sempre em perigo nos momentos de conflito e ensina ao filho de cinco anos a ter a pele dura e o corpo forte para resistir aos gazes lacrimogênicos lançados a todo instante na população desarmada. "Porque não o matamos com faca, papai?," pergunta o filho.

O testemunho de sua câmera imparcial e sem emotividade é um dos lados mais surpreendentes dessas imagens... a violência crua, nua e brutal. Não há concessões nem para um lado ou para outro, apenas a resistência e o testemunho "ocular" da história aontecendo no seu próprio quintal. Como não pensar nessa era digital, quando milhões de mini-câmeras de celulares ao redor do mundo captam à todo momento testemunhos ímpares de nossa história contemporânea... o desafio é saber juntar estas imagens e criar narrativas condizentes como fez este filme... imperdível.

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