O documentário sobre o cantor Herbert Vianna e o curta sobre um garoto argentino fanático por futebol ganharam os prêmios de público do 4° Festival do cinema brasileiro de Toronto que terminou este domingo. Os atores Leonardo Medeiros e Glória Pires foram premiados por suas interpretações. Veja abaixo a lista completa dos premiados:
Vale a pena ressaltar o sucesso do filme Dzi Croquettes (fora da competição) na estréia da sessão Pink Brazil do BRAFFTV, com aplausos no meio da sessão lotada de brasileiros e canadenses.
James Cameron realizou em 2009 seu grande feito, o filme mais caro e rentável do mundo. Apenas no mercado interno, Avatar já passa dos 700 milhões de dólares em bilheteria e continua há mais de dois meses entre os cinco filmes mais vistos nos Estados Unidos. Cameron adora esses feitos monumentais. Mas, neste domingo, antes de pisar no tapete vermelho da premiação dos Oscars, ele esperava poder dividir o prêmio de melhor filme e melhor diretor com a ex-esposa Kathryn Bigelow, diretora do modestíssimo Guerra ao Terror (The Hurt Locker). Por falsa modéstia, Cameron temia que se repetisse o mesmo resultado do Globo de Ouro (Golden Globes) quando Avatar liderou a premiação enquanto o filme da 'pobre' ex-esposa não levou nenhum prêmio. Sua preocupação não era à toa, afinal duas polêmicas já envolviam Guerra ao Terror logo antes de fecharem as urnas.
Nicholas Chartier, um dos produtores do filme, enviou um email aos membros da academia pouco antes da votação chamando a todos para apoiarem Guerra ao Terror. Ele os pedia para dizer sim ao cinema independente e não a um filme de 500 milhões de dólares, numa apologia à Avatar. Esta situação pegou tão mal, que a academia acusou o produtor por conduta de má-fé e o impediu de comparecer na cerimônia. Tudo isto mesmo depois que ele tenha pedido desculpas e tenha reenviado minutos após um outro email pedindo aos membros para desconsiderarem a primeira mensagem. Senão bastasse, um militar da reserva, ex-combatente das forças armadas americanas no Iraque, abriu um processo contra o roteirista e produtor Mark Boal de basear o filme na sua vida sem portanto levar crédito ou compensação financeira.
Polêmicas à parte, Guerra ao Terror pelo visto já estava predestinado ao panteão dos oscarizados. O filme levou quase todos os prêmios nos quais concorria, inclusive prêmios técnicos (praticamente considerados garantidos para Avatar) como montagem de som e efeitos sonoros. Com um orçamento modesto de onze milhões de dólares e uma estória originalíssima sobre uma equipe anti-bombas, Kathryn Bigelow provou que cinema de qualidade se faz com criatividade e talento. O filme é adrenalina pura como um bom filme de ação requer, construído sobre uma base dramática sólida que poucos, inclusive Avatar, conseguem alcançar. O filme neste sentido é bastante equilibrado e conta com um elenco afiadíssimo que consegue manter a atenção e tensão ao longo do filme.
Filmado com uma arquitetura narrativa provinda do documentário, os planos seguem a tendência atual do cinema-realidade, diferenciando em termos estilísticos do cinema realista ou neo-realista de alguns anos atrás. Assim toda a carga dramática é levada por uma câmera ágil e móvel, diálogos dispersos, e um elenco desconhecido e bastante crível liderado pelo excelente Jeremy Renner, deixando as estrelas de Hollywood em papéis secundários ou, se me permitem a expressão, descartáveis, entre eles estão Ralph Fiennes e Guy Pierce. Uma aposta ousada da diretora mas bastante condizente com o efeito que queria provocar no público. Se distanciando dos rostos familiares dso astros hollywoodianos, ela conseguiriam uma relação "fresca" entre audiência e personagem, com isto reproduzindo o mesmo efeito de empatia ou de desconfiança com soldados reais que servem atualmente nas forças americanas.
A academia parecia saber quem ganharia o prêmio de melhor diretor ao escalar Barbra Streisand para entregá-lo. Afinal, Streisand é considerada uma das grandes faltas da academia. Todos esperavam que ela seria em 1983 a primeira mulher a ganhar um oscar como melhor diretora pelo seu trabalho em Yentl. Quase trinta anos depois eis que finalmente uma mulher sobe ao podium, mesmo que o filme seja um filme de guerra, a presença de mulheres no filme é quase inexistente, e que Bigelow não tenha mencionado nenhuma mulher no seu discurso, não tira o feito de ainda ter sido uma das poucas produtoras a ganhar o prêmio de melhor filme.
Kathryn Bigelow no seu segundo discurso de agradecimento poderia ter exclamado: Eu sou a rainha do mundo!, como fez Cameron há dez anos atrás quando foi premiado por Titanic. Mais modesta, Bigelow agradeceu o povo da Jordânia, onde o filme foi feito, e dedicou os prêmios aos homens e mulheres que trabalham uniformizados, sejam eles soldados baseados no Iraque ou no Afganistão, quando aos bombeiros ou policiais.
Bigelow é conhecida do grande público dos filmes de ação já há algumas décadas mesmo antes de ser casada com James Cameron. Em 1987 ela dirigiu e co-roteirizou o excelente Near Dark, uma história de vampiros moderna e bastante original. Alguns anos depois alcançou grande sucesso com Caçadores de Emoção (Point Break, 1991), um ótimo filme de ação-policial capitaneado pelos astros hollywoodianos Keanu Reeves e Patrick Swayze.
Com certeza outra grande surpresa deste ano foi o prêmio de melhor filme estrangeiro para o argentino Juan José Camapanella com El secreto de sus ojos. Não que o filme não seja excelente, mas ele acabou batendo dois grandes favoritos, os premiadíssimos O laço de fita branco (Das weissen band) do diretor austríaco Michael Henneke e Um profeta (Un prophète) do diretor francês Jacques Audiard. Um profeta para se ter uma idéia arrebatou há duas semanas atrás 9 césars (o oscar francês), incluindo dois prêmios para o seu protagonista Tahar Rahim, melhor ator e melhor ator aspirante.
O thriller policial de Campanella, um velho conhecido dos cinéfilos, diretor de O filho da Noiva e Clube da Lua, segue dentro de um gênero típico do cinema argentino: os filmes da ditatura. Apesar do filme não ter uma relação direta com a política argentina, o filme mostra os entraves dos processos judiciários num país comprometido com os desmandos dos militares e seus delatores de plantão. Um tema forte e ao mesmo tempo um suspense de tirar o fôlego.
Mas, não podemos esquecer que Hollywood rege em torno do networking (rede de conhecidos) e dos pequenos caprichos e presentes como qualquer campanha eleitoral. E com isto, Campanella saiu na frente pois há mais de vinte anos trabalhando no mercado americano, principalmente nos seriados televisivos, ele é carinha tarimbada de Hollywood e que agora, ganhador de um oscar, se torna um diretor influente e com bastante prestígio.
A palavra ganhar ou ganhador voltou à moda este ano em Hollywood. Depois de uma onda politicamente correta de mais de décadas obrigando à todos a mencionarem o nome do prêmio antes de anunciar o felizardo... "E o Oscar vai para..." O velho jargão pra alívio e felicidade de muitos... And the Winner is... está de volta!
Hudson Moura
Veja então a lista dos GANHADORES abaixo:
MELHOR FILME
"Guerra ao Terror"
MELHOR DIRETOR
Kathryn Bigelow ("Guerra ao Terror")
MELHOR FILME ESTRANGEIRO
El secreto de sus ojos (The secret in their eyes) Argentina
dir. Juan José Campanella
MELHOR ATOR
Jeff Bridges ("Coração Louco")
MELHOR ATRIZ
Sandra Bullock ("Um Sonho Possível")
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christoph Waltz ("Bastardos Inglórios")
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
"Mo'Nique ("Preciosa - Uma História de Esperança")
ROTEIRO ORIGINAL
Mark Boal ("Guerra ao Terror")
ROTEIRO ADAPTADO
Geoffrey Fletcher ("Preciosa - Uma História de Esperança")
ANIMAÇÃO
"Up - Altas Aventuras"
CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
"Logorama"
DIREÇÃO DE ARTE
Rick Carter e Robert Stromberg (direção de arte) e Kim Sinclair (direção de cena) em "Avatar"
FIGURINO
Sandy Powell ("The Young Victoria")
MAQUIAGEM
Barney Burman, Mindy Hall e Joel Harlow ("Star Trek")
FOTOGRAFIA
Mauro Fiore ("Avatar")
DOCUMENTÁRIO
Louie Psihoyos e Fisher Stevens ("A Enseada")
DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
Joe Letteri, Stephen Rosenbaum, Richard Baneham e Andrew R. Jones ("Music by Prudence")
EDIÇÃO DE SOM
Paul N.J. Ottosson ("Guerra ao Terror")
MIXAGEM DE SOM
Paul N.J. Ottosson e Ray Beckett por ("Guerra ao Terror")
MONTAGEM
Bob Murawski e Chris Innis ("Guerra ao Terror")
TRILHA SONORA
Michael Giacchino por ("Up - Altas Aventuras")
CANÇÃO
"The Weary Kind" ("Coração Louco"), música e letra de Ryan Bingham e T Bone Burnett
Ricardo Darín em O segredo de seus olhos (El secreto de sus ojos) de Juan José Campanella.
A programação do Festival de filmes Sundance 2008, que começa no próximo dia 17 em Salt Lake City, Utah, como sempre previlegia o cinema independente americano e as co-produções internacionais. O instituto Sundance, capitaneado pelo ator e diretor Robert Redford, financia co-produções e organiza workshops anualmente onde ajuda a desenvolver roteiros com produtores e diretores independentes de outros países, como foi o caso do cineasta brasileiro Walter Salles e do cineasta mexicano Guillermo Iñarritu. O filme de abertura do festival é In Bruges do irlandês Martin McDonagh com Colin Farrell e Brendan Gleeson (foto acima) no elenco.
Os cineastas brasileiros Juliana Rojas e Marco Dutra estão entre os 12 selecionados na categoria novos projetos de diretores estreantes, com o filme Trabalhar Cansa. Entre outros, concorrem Radu Jude (Romênia), Paz Fabrega (Costa Rica), Braden King (EUA) e Akira Ichinose (Japão). Quatro vencedores serão anunciados em janeiro.
Baixe aqui o catálogo do Festival (inglês) em pdf com a lista completa dos filmes selecionados.
Curta brasileiro vence concurso no Youtube
O brasileiro "Laços" foi o vencedor do concurso internacional de curtas do YouTube, o Project Direct. O filme de Flávia Lacerda terá sessão especial no Festival de Sundance, em janeiro, e seus produtores ganharão US$ 5.000. Clarice, 18, protagonista do curta, filha de Adriana e João Falcão, que cantou na trilha de "Lisbela", também compôs música do vídeo "Laços". A exibição em Sundance faz parte do prêmio. A história da menina que conhece um rapaz bizarro após a morte do pai superou ao menos 19 produções de outros cinco países que estavam na final, mais dezenas que não chegaram perto. O vídeo custou pouco mais de R$ 2.000, rendeu US$ 5.000 e deu a Clarice aquela espécie de reconhecimento imediato que a internet permite. Até a noite da última quinta-feira, sua atuação tinha sido vista 800 mil vezes. Os outros ganhadores foram "Gone in a flash" de Jacob Lewis "My name is Lisa" de Ben Shelton.
Assista o ótimo "Laços" abaixo:
Associação Cultural leva o cinema brasileiro para o Canadá
A Associação Cultural Jangada, responsável pelo Festival de Cinema Brasileiro em Paris, que completará dez anos em 2008, levou a produção brasileira também para o Canadá. Na sexta-feira, dia 14 de dezembro, teve início o Festival du Film Brésilien de Montreal, evento que exibiu 11 títulos, entre ficção e documentários da recente safra brasileira, além de uma mostra com curtas-metragens de animação. Este é o segundo evento do gênero organizado pela Jangada que realizou em Toronto o Brazil Film Fest, lotando a platéia do Royal Ontario Museum. Na programação do festival, “Mulheres do Brasil” (Malu De Martino); “A Máquina” (João Falcão); “Antônia” (Tata Amaral); “O Cheiro do Ralo” (Heitor Dhalia); “Cartola, Música para os Olhos” (Lírio Ferreira e Hilton Lacerda); “Faixa de Areia” (Daniela Kallmann e Flávia Lins e Silva) e “Bendito Fruto” (Sérgio Goldenberg). O Festival du Film Brésilien acontece até 20 de dezembro. Mais informações pelo www.brazilfilmfest.net. Fonte: JB
APCA anuncia vencedores em 9 categorias
A APCA (Associação Paulista dos Críticos de Artes) anunciou os melhores de 2007 nas categorias: artes visuais, cinema, dança, literatura, música popular, rádio, teatro, teatro infantil e televisão. A cerimônia de entrega dos prêmios será em 25 de março. "Jogo de Cena", de Eduardo Coutinho, foi eleito melhor filme; José Padilha, melhor diretor. A exposição "Cinéticos" levou o Grande Prêmio da Crítica em artes plásticas. "O Filho Eterno", de Cristóvão Tezza, ganhou como livro de ficção; "My Fair Lady", espetáculo; e "Paraíso Tropical", novela. Confira aqui a lista completa dos vencedores. Fonte: Folha de São Paulo
"Tropa de Elite" compete em Berlin e produtor afirma que pirataria ajudou o filme, que também bate recorde de downloads na net
O filme de José Padilha, maior bilheteria do cinema brasileiro este ano, estará entre os 23 que vão disputar a 58.ª edição do evento que acontece em fevereiro. “Tropa de Elite” fará sua estréia internacional no festival, um dos mais importantes do gênero. O brasileiro irá disputar com diretores de várias partes do mundo, como China, México e Alemanha. O filme "Maré, nossa história de amor" (2007) (foto abaixo), da diretora Lúcia Murat, será exibido na sessão Panorama do Festival de Cinema de Berlim, que também apresentará a estréia de Madonna na direção de "Filth and Wisdom" (2008). Além dessas produções, também serão exibidos os filmes espanhóis "Escalofrío" (2008), de Isidro Ortiz, e "Tres días" (2008), de Javier Gutiérrez.
Abrindo o jogo sobre a lógica do negócio de produzir cinema na América Latina, o empresário argentino Eduardo Costantini Jr., que participou da produção do filme "Tropa de Elite", admite que a pirataria do DVD do filme no Brasil teve impactos positivos para o sucesso da produção. Costantini disse que terá lucro com o filme brasileiro. Ele informou ter colocado US$ 2 milhões na produção e espera um retorno de 50% em dois anos, com a carreira internacional da película. A estratégia está traçada: entre o festival norte-americano de Sundance e o de Berlim, na Alemanha, os distribuidores escolheram o segundo. As perspectivas de venda do filme para o mercado europeu são muito grandes, na avaliação do empresário. Ele citou países como França, Itália e Inglaterra em que o filme estrearia em fevereiro. Fonte: G1/Estadao
Brasil está fora da disputa pelo Globo de Ouro
O Brasil está de fora da disputa pelo Globo de Ouro. Foi divulgada na semana passada a lista dos indicados para a categoria de melhor filme em língua estrangeira. Os candidatos são o romeno que foi Palma de Ouro em Cannes, "4 meses, 3 semanas e 2 dias", de Cristian Mungiu; o polêmico "O Caçador de Pipas", de Marc Forster, de produção americana; o francês "O Escafandro e a Borboleta", de Julian Schnabel; o vencedor do Festival de Veneza, o taiwanês "Lust, Caution", de Ang Lee; e a excelente animação francesa "Persépolis", de Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi. "A Casa de Alice", de Chico Teixeira, "Deserto Feliz", de Paulo Caldas, e "O Ano em que meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburger, haviam sido pré-selecionados para a competição mas não ficaram entre os finalistas. Fonte: O Globo
Vladimir Carvalho recupera em documentário a trajetória de José Lins do Rego
Cinquenta anos após a morte de José Lins do Rego (1901-1957), o cineasta Vladimir Carvalho (à esquerda na foto com equipe) reconstitui a vida e a personalidade do escritor paraibano no documentário “O Engenho de Zé Lins”. O filme entrou em cartaz em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília na sexta-feira, dia 14 de dezembro. Duplamente premiado no Festival de Brasília 2006 - melhor montagem e prêmio especial do júri -, o filme refaz de maneira apaixonada e original a trajetória do autor. Amigos escritores entrevistados revelam aspectos mais alegres e pitorescos do escritor. Um dos pontos altos está no testemunho da escritora Rachel de Queiroz, que morreu durante a produção do filme, em 2003. Mais emocionado é o longo depoimento do poeta Thiago de Mello. Ele relembra os últimos anos de Lins, quando sofria muito com os efeitos da esquistossomose, o que acarretava hemorragias constantes e grande sofrimento. Há também imagens do antigo engenho pertencente à família Lins do Rego, local hoje em ruínas e ocupado por famílias de sem-terra. Fonte: JB
Ministério da Cultura publica sete editais
O Ministério da Cultura publicou sete editais de fomento à produção audiovisual. As inscrições para os editais, que destinam R$ 9,8 milhões, podem ser feitas até o dia 29 de fevereiro de 2008. Os editais são para série de animação para TV (dez projetos com valor de R$ 30mil); curta-metragem, infanto-juvenil (20 projetos com valor de até R$ 60 mil); curta-metragem, gênero animação (dez projetos com o valor de até R$ 60 mil); curta-metragem, projeto social (20 projetos com valor de até R$ 30 mil); curta-metragem (20 projetos com valor de até R$ 80 mil); roteiros cinematográficos (dez projetos com valor de R$50 mil); e longa-metragem (cinco projetos com valor de até R$ 1 milhão). Mais informações estão disponíveis no site www.cultura.gov.br Fonte: Tela Viva
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