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29 de dezembro de 2015

Artigos do colóquio Narrativas Interativas

12 de dezembro de 2010

Napoleão Bonaparte vira Coronel Viravante aos olhos de Glauber Rocha

O acervo pessoal do cineasta baiano Glauber Rocha, atualmente arquivado no Tempo Glauber, fundação criada pela sua família, no Rio de Janeiro, está prestes a ser adquirido pelo Ministério da Cultura e será transportado para a Cinemateca Brasileira, em São Paulo.
No conjunto estão os 22 filmes feitos por Glauber, além de 80 mil documentos, que incluem sua correspondência pessoal, roteiros de filmes, peças de teatro, poemas e romances.

Deste total, 223 roteiros e projetos de livro permanecem inéditos.

Segundo o ministro da Cultura, Juca Ferreira, a compra está praticamente fechada e deve ser anunciada até o final do mês. “A família tem plena noção da importância de Glauber para a cultura brasileira, e nós temos condições melhores para preservar este material’’, diz.

De acordo com Ferreira, a negociação faz parte de uma política maior de aquisição de acervos do cinema brasileiro por parte do ministério, que vai disponibilizá-los ao público na Cinemateca.

“Boa parte da memória do cinema nacional se perdeu, porque a preservação sempre foi precária. E, hoje, na Cinemateca, temos os melhores equipamentos do mundo para isto’’, diz.

A Cinemateca está restaurando o filme “O Leão de Sete Cabeças’’, feito por Glauber em 1970. Será relançado em cópias de 35 milímetros. Em julho deste ano, o ministério adquiriu o acervo da Companhia Atlântida Cinematográfica, com mais de 60 longas-metragens produzidos entre 1942
e 1974.

Papéis revelam roteiro inédito sobre Napoleão Bonaparte

O último projeto do cineasta Glauber Rocha (1939-1981) era fazer um filme inspirado na vida de Napoleão Bonaparte (1769-1821). Um mês antes de morrer, ele escreveu um roteiro em francês, até hoje inédito, com as principais ideias do longa. Também mencionou o tema em cartas a
amigos.

Há algumas semanas, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, encontrou em sua biblioteca mais uma peça que ajuda a remontar esse projeto: a versão italiana do livro “O Império de Napoleão’’, de Stendhal (1783-1842), com anotações e rasuras feitas pelo cineasta.

A obra chegou às suas mãos em 1981, quando ele era presidente da Embrafilme. Glauber, que estava morando em Portugal, queria sensibilizá-lo a apoiar a produção. A estatal já havia patrocinado seu último filme, “Idade da Terra’’-cuja recepção pela crítica nacional e internacional foi terrível.

“Ele estava bastante deprimido por causa disto, mas falava de muitos planos’’, diz Amorim, que doou o livro à família de Glauber.

Os documentos não trazem uma ideia acabada e são, por vezes, contraditórios. Mas deixam claro que o longa teria muito pouco da biografia de Bonaparte e se prestaria a discutir temas comuns na obra
do cineasta, como liderança messiânica e revolução.

Nas margens do livro, ele anotou ideias gerais: “Os impérios materializam o inconsciente coletivo do povo através de seus patriarcas, que realizam as guerras purificadoras e fortificantes’’.

Também guardou, entre as páginas, um recorte de jornal falando de um leilão da Sotheby’s com armas do período napoleônico.

Já no roteiro, a história se passa nos anos 1980, num território “real e imaginário’’ chamado Trafalgar, na divisa entre Portugal e Espanha.




Reencarnação

O personagem central é Napoleão Viravante, proprietário de terras que se achava a reencarnação do general francês. Cercado por um exército de mercenários, ele pretendia conquistar a independência de seu país e dominar o mundo.

O texto é uma amostra típica do cinema conceitual de Glauber Rocha: “Na Caverna da Morte, protegidos por uma aranha gigante, estão guardados os títulos de propriedade de terra de Trafalgar’’. Irmã Vitória dos Ressuscitados, camponesa que fundou uma ordem religiosa, tem a missão de resgatá-los.

Em meio a intrigas políticas, Napoleão abandona sua mulher espanhola e decide se casar com uma amante africana. Napoleão é morto pela amante. O filme termina com um dançarino do balé Bolshoi assumindo o poder.

O roteiro, aparentemente nonsense, e com o qual o cineasta tentava levantar patrocínio na Europa, era apenas uma de suas ideias para este filme.

Antes de escrevê-lo, em carta a Celso Amorim, Glauber diz que já havia feito uma versão no Brasil, e pretendia fazer uma segunda.

“Este é o filme que vou fazer este ano, embora não saiba como [...] Se eu voltasse ao Brasyl, filmaria também “O Império de Napoleão’ com o título de “O Império de D. Pedro II’’’, escreveu. (Folhapress)

19 de outubro de 2010

Viva o cinema brasileiro!... e Tropa de Elite 2


O ministro Juca Ferreira comemora "momento mágico" que o cinema brasileiro vive hoje. Segundo o ministro, o cinema brasileiro vive um momento mágico. Na semana passada entre os dias 7 e 14 de outubro, mais da metade das salas do país estava exibindo filmes nacionais. Essa marca histórica é liderada pela estréia de ‘Tropa de Elite 2’ e pelo desempenho de público de ‘Nosso Lar’. Esse feito, de grande significado cultural e econômico, é resultado de uma sintonia desses filmes com a sensibilidade do público brasileiro. Esse sucesso aponta caminhos para a indústria cinematográfica brasileira, combinando qualidade com grande capacidade para atrair o espectador. 


No lançamento de "Tropa de Elite 2", seguida de um debate com o diretor José Padilha e o ator Wagner Moura, alimentou discussões sobre cinema, mas colocou em cena, sobretudo, a política. Os políticos se enxergam no ridículo dos personagens. O público, por sua vez, se identifica com o sentimento de revolta generalizada. Não por acaso, o momento em que um deputado corrupto e falastrão é agredido pelo herói, provoca catarse na plateia e resulta em aplausos. "É uma reação emocional. Todo mundo se sente representado. Todo mundo já teve vontade de dar um tapa num deputado safado", disse Wagner Moura, sob risadas. Padilha, mais provocador, aproveitou a referência ao possível lado "fascista" do filme para acariciar a platéia. "Achar que o filme estimula a violência seria considerar vocês [o público] como pessoas pouco inteligentes, que vêem o filme e saem batendo em todo mundo na rua."


Apesar de todo o planejamento antipirataria para evitar que o filme “Tropa de Elite 2” estivesse disponível para download antes da estréia, como bloquear o acesso à internet de computadores que iriam editar o conteúdo filmado, não foi possível impedir que sites de torrents disponibilizassem o filme após a estréia. A qualidade dos arquivos não é das melhores e os próprios usuários de sites de torrents comentam sobre o material que baixaram. No Pirate Bay, por exemplo, usuários afirmam que a qualidade do filme é péssima e a imagem desaparece da tela em grande parte do tempo. Isso pode ser causado por usuários que levam filmadoras ou até mesmo celulares para gravar o filme dentro do cinema, gerando uma cópia com qualidade ruim tanto em áudio quanto em vídeo.

13 de outubro de 2010

Lançamento: Cinema, Globalização e Interculturalidade

O livro Cinema, Globalização e Interculturalidade será lançado no  Rio de Janeiro no dia 18 de outubro às 19 h na Blooks Livraria ( dentro do Arteplex Unibanco de Cinema ) Praia de Botafogo 316 (tel: 25598776). O livro também pode ser adquirido diretamente pelo site da Argos Editora. 





Cinema, Globalização e Interculturalidade
Andrea França e Denilson Lopes, orgs.
Editora Argos da Unochapeco - Local, Chapeco, SC
401 pags preço: R$49,00
ISBN: 9788578970048

Sumário

Apresentação pelos organizadores
Módulo I: Cinema Mundial, Cinema Intercultural
Martin Roberts -  “Baraka”: O Cinema Mundial e a Indústria Cultural Global”
Hudson Moura - “O cinema intercultural na era da globalização”
Vicente Rodriguez Ortega - “Esclarecendo o conceito de Cinema Transnacional”
Denilson Lopes -  “Paisagens Transculturais”

Módulo II: Cinema, Periferia e Hibridismo,
Robert Stam - “Para além do Terceiro Cinema: Estéticas do Hibridismo”
Hamidy Naficy - “Definindo o Cinema com Sotaque”
Ângela Prysthon - “Outras margens, outros centros: algumas notas sobre o cinema periférico contemporâneo”

Módulo III:  Enunciados de Nacionalidade e Imaginários Transnacionais
Yingjin Zhang - “Cinema Chinês no Novo Século: perspectivas e problemas”
Anelise Reich Corseuil e Renata Wasserman - “Canibais viajantes”
Andréa França - “Imagens de itinerância no cinema brasileiro”.

Módulo IV: Recepção e audiência
Sheldon Lu, “Dialetos e modernidade no séc. XXI”
Mahomed Bamba, “O Cinema na África: dos contos ancestrais às mistificações cinematográficas”
Leo Goldsmith, “História, Tragédia e Farsa: ‘The President’s Last Bang’ nos circuitos dos Festivais de Cinema”

Módulo V:  Nas fronteiras da Memória, do Desejo e do Afeto
Laura Marks, “A Memórias das Coisas”
Rosanna Maule, “A dialética do desejo transnacional feminino em quatro filmes de Claire Denis”
Andrea Molfetta, “O que vi quando te vi? Os Diários de Viagem Sul-americanos sobre a França”

Esta coletânea não é apenas uma somatória de artigos dedicados ao tema do título. Ela pretende ser um registro de pensamentos e questões sobre as imagens cinematográficas contemporâneas, permeadas pelas experiências do exílio, da estrangeiridade, do nomadismo, do desenraizamento. A radical diversidade de abordagens sobre o tema é esclarecedora: há uma compreensão do desafio político e estético que é colocar em cena hoje aquilo que desaparece cotidianamente diante de todos nós (espectadores de imagens), isto é, a possibilidade de um mundo comum que possa incluir aqueles que dele estavam e estão excluídos por diferentes razões.

Para além da história e da teoria do cinema, também presentes aqui, os quinze artigos de pesquisadores e professores de diferentes instituições, nacionalidades e países exploram sobretudo as múltiplas conexões entre imaginário, economia globalizada, mídia de massa, cultura e memória coletiva. Sendo o cinema contemporâneo o meio eleito para  alavancar estas questões, diálogos e conexões interdisciplinares, não há outro sentido neste livro senão a pergunta que o atravessa: como falar de interculturalidade através do cinema? O que mostrar? Quem olha quem? Quem mostra o quê? O que é mostrado, o que é escondido? Onde estou no olhar do outro, dentro da mise en scène do outro? Questões de cinema que são muitas vezes retomadas.

Se a engrenagem da globalização é abolir o dentro e o fora, apagar as fronteiras, ser inclusiva e prosperar incorporando em suas esferas cada vez domínios de vida mais variados e maiores, o que se lê nestes ensaios são reflexões estéticas, econômicas e políticas a respeito desse modelo que tem por característica excluir massas inteiras dessa pretensa universalidade. São cinemas – da Ásia, da África, das Américas, da Europa - que falam de um mundo de conexões, redes, associações freqüentes e mutantes, ao mesmo tempo que narram experiências de solidão, diásporas e despertencimento.

 Autores como Hamid Naficy, Rosanna Maule, Laura U. Marks, Yingjin Zhang, Leo Goldsmith, Sheldon Lu, entre outros que pela primeira vez são traduzidos para o português, trazem para o leitor uma obra que discute a emergência do imaginário global através do cinema e sua relação com as dimensões culturais da globalização econômica. Dividido em blocos temáticos, este livro discute a projeção cinematográfica de imaginários nacionais e os modos de circulação destas imagens, o lugar da memória e dos afetos no cinema transcultural, a invenção de enunciados de nacionalidade através destas imagens. É, de fato, um conjunto riquíssimo de olhares, pensamentos e indagações que só o cinema contemporâneo pode provocar quando tensiona os discursos correntes da televisão e das mídias de massa.


24 de agosto de 2010

8º Congresso Brasileiro de Cinema e Audiovisual





8° CBC ANÚNCIO

Com o tema “O que nos separa já sabemos, mas o que nos une?”, 
o evento será realizado de 12 a 15 de setembro, em Porto Alegre (RS).


No último dia 11 de agosto, durante o 38º. Festival de Cinema de Gramado, aconteceu o lançamento oficial do 8º. Congresso Brasileiro de Cinema e Audiovisual. Estiveram presentes no evento o presidente do CBC, Rosemberg Cariry; a Diretora Financeira, Edina Fujii; o Diretor de Articulação e Comunicação, João Baptista Pimentel Neto; o Diretor Executivo, Cícero Aragon e o Diretor de Projetos e Captação de Recursos, Antonio Leal.


O Congresso deste ano, que será realizado no próximo mês de setembro, em Porto Alegre, visa articular e agregar uma discussão ampla entre os mais diversos segmentos do audiovisual brasileiro. Profissionais e especialistas de todo o Brasil, analisarão e debaterão temas como produção, infraestrutura, film commission, coproduções internacionais, pesquisa, preservação, crítica, políticas públicas, novas mídias, convergência, exibição, direitos autorais e direitos do público, formação, etc.
Sob o tema “O que nos separa já sabemos, mas o que nos une?”, o 8º. Congresso Brasileiro de Cinema e Audiovisual abre suas discussões a todos os interessados, associados ou não ao CBC.
“Será sem dúvida nenhuma a grande discussão ampla e agregadora das diversas cadeias e segmentos que abrangem o audiovisual em seus aspectos mais amplos. Abrindo-se a palavra audiovisual como guarda-chuva para abrigar a produção de filmes, vídeos, desenhos animados, programas e seriados de TV, jogos eletrônicos, softwares, músicas, conteúdo para telefonia móvel e para todas as convergências digitais, em trânsito, na revolução tecnológica contemporânea”, afirmou o cineasta Rosemberg Cariry, presidente do CBC.  “Destas discussões sairão propostas e diretrizes que certamente nortearão a atividade para os próximos anos” concluiu.
É significativo o fato do 8º. Congresso Brasileiro de Cinema e Audiovisual ser realizado em Porto Alegre. Isto porque, em 2010, comemoram-se exatos 10 anos da realização do 3º. Congresso, que foi um marco histórico da integração dos profissionais e das diretrizes do setor, evento este também realizado pela FUNDACINE na capital gaúcha.
Nesta edição, o Presidente de Honra será o cineasta Nelson Pereira dos Santos, um dos nomes mais respeitados, premiados e reverenciados da cinematografia brasileira.
Serviço:
8º. Congresso Brasileiro de Cinema e Audiovisual
De 12 a 15 de setembro de 2010.
Hotel Plaza São Rafael, Av. Alberto Bins, 514
Porto Alegre – RS

24 de maio de 2010

Ganhadores do Palmarès de Cannes 2010


O Júri oficial do 63º Festival de Cannes, presidido por Tim Burton, desvendou esta noite o seu Palmarés durante a Cerimónia de encerramento.


O filme de Encerramento The Tree de Julie Bertuccelli, com Charlotte Gainsbourg, Marton Csokas e Morgana Davies foi projectado após a cerimónia.



LONGAS-METRAGENS EM COMPETIÇÃO

Palme d'Or
LUNG BOONMEE RALUEK CHAT (Oncle Boonmee celui qui se souvient de ses vies antérieures) realizado por Apichatpong WEERASETHAKUL

Grand Prix

DES HOMMES ET DES DIEUX
 realizado par Xavier BEAUVOIS

Prêmio de melhor diretor
Mathieu AMALRIC com TOURNÉE

Prêmio do Júri 

UN HOMME QUI CRIE 
realizado por Mahamat-Saleh HAROUN

Prêmio de interpretação masculina (empatada)
Illustration
Javier BARDEM em BIUTIFUL realizado por Alejandro GONZÁLEZ IÑÁRRITU

Elio GERMANO em LA NOSTRA VITA realizado por Daniele LUCHETTI

Prêmio de interpretação feminina
Copie conforme
Juliette BINOCHE em COPIE CONFORME realizado por Abbas KIAROSTAMI

Prêmio de melhor roteiro
LEE Chang-dong para POETRY 



CURTAS-METRAGENS EM COMPETIÇÃO

Palme d'Or

CHIENNE D’HISTOIRE 
realizado por Serge AVÉDIKIAN 

Prêmio do Júri

MICKY BADER (Micky se baigne) realizado por Frida KEMPFF
 
 
CAMERA D'OR

AÑO BISIESTO realizado por Michael ROWE apresentado no quadro da Quinzena dos Realizadores



UN CERTAIN REGARD

Prêmio Un Certain Regard - Fondação Groupama Gan para o Cinema 

big poster
HAHAHA de HONG Sangsoo

Prêmio do Júri

OCTUBRE (Octobre)
 de Daniel VEGA & Diego VEGA

Prêmio de interpretação Un Certain Regard
Adela SANCHEZ , Eva BIANCO, Victoria RAPOSO para LOS LABIOS (Les Lèvres)de Ivan FUND & Santiago LOZA



CINEFONDATION

Primeiro Prêmio da Cinéfondation

TAULUKAUPPIAAT (Les Marchands de tableaux)
 de Juho KUOSMANEN

Segundo Prêmio da Cinéfondation

COUCOU-LES-NUAGES
 de Vincent CARDONA

Terceiro Prêmio da Cinéfondation ex-aequo

HINKERORT ZORASUNE
 de Vatche BOULGHOURJIAN
JA VEC JESAM SVE ONO ŠTO ŽELIM DA IMAM de Dane KOMLJEN
 
O júri da CST decidiu, conceder o PRÊMIO VULCAIN DO ARTISTA-TÉCNICO a: 
Leslie SHATZ, pelo som do filme BIUTIFUL realizado por Alejandro GONZÁLEZ IÑÁRRITU.

2 de maio de 2010

Projeto 5 vezes Favela de Cacá Diegues será apresentado em Cannes



O projeto "5 Vezes Favela" coordenado pelo cineasta Cacá Diegues fará parte da sessão especial do festival de Cannes deste ano, que se realizará entre os dias 12 e 23 de Maio. O filme que pretende ser, segundo Diegues, um filme bonito e de boa qualidade técnica da favela para ser mostrado "lá fora"  se auto-intitula "por nós mesmos".  É a favela vista pelos favelados! Os roteiros dos cinco curta-metragens que compõem o filme  foram concebidos à partir de oficinas e workshops ministrados por vários cineastas conhecidos como Fernando Meirelles, Walter Salles, Ruy Guerra, entre outros. 


Vamos conferir se este ponto de vista "autêntico" se diferencia de alguma maneira das imagens clichês da favela que proliferam na mídia. O ponto de partida de uma certa forma já foi comprometido, já que os olhares dos favelados foram treinados pela linguagem profissional do cinema e a maquinaria pesada do cinema de "qualidade" comercial estiveram aos seus serviços. Com certeza, esses novos cineastas da favela não devem ter tido muito espaço para uma espontaneidade criativa no set de filmagem. Atrelados a tal estrutura profissional, como assim eles podem afirmar "agora por nós mesmos"? 


Veja abaixo as sinopses das cinco estórias:


DEIXA VOAR -  Cadu Barcellos – Observatório de Favelas – Cadu Barcellos
Flavio, 17 anos, é morador de uma favela carioca. Ele deixa a pipa de um amigo “voar”  e agora tem que ir buscá-la na favela de uma facção rival à que ele mora, onde a pipa caiu. Mesmo com medo da aventura, ele vai buscar a pipa, descobrindo que as pessoas da favela rival em nada diferem das de onde ele mora.
CONCERTO PARA VIOLINO – Rodrigo Cardozo – AfroReggae – Luciano Vidigal
Ainda crianças, Márcia, Jota e Ademir fazem um juramento de amizade eterna. Agora adultos, com cerca de 20 anos de idade, Jota foi para o tráfico de drogas e Ademir entrou para a polícia. O enfrentamento entre os dois pode impedir que Márcia, agora violinista, realize seu sonho de uma bolsa de estudos musicais na Europa.
FONTE DE RENDA – Vilson Almeida – Cidadela/Cinemaneiro – Manaira Carneiro & Wavá Novais
Jovem realiza seu sonho de ser bem sucedido no vestibular e entrar para uma Faculdade de Direito, mas passa a encontrar dificuldades para dar conta dos gastos com livros, alimentação e  transporte. Ele então se sente atraído a vender drogas para amigos da faculdade, lucrando com isso o suficiente para custear seus estudos.
ARROZ COM FEIJÃO – José Antônio Silva – CUFA – Rodrigo Felha & Cacau Amaral
Para conseguir construir um quarto para o filho único, os pais de Wesley, de 12 anos, são obrigados a reduzir o cardápio de casa a arroz com feijão. No dia do aniversário do pai, o menino se junta ao amigo Orelha e sai, sem muito sucesso, em busca de recursos para comprar um frango de presente para ele.
ACENDE A LUZ” – Luciana Bezerra – Nós do Morro – Luciana Bezerra
É véspera de Natal e o morro está sem luz há três dias. Os técnicos enviados pela companhia de luz não conseguem resolver o problema, os moradores seqüestram um funcionário dela e o fazem de refém, até que a luz volte. O funcionário se integra à comunidade e acaba se tornando o herói dela na noite de Natal.


Assista aqui a promo do projeto.


A iniciativa se inspirou de um outro projeto de 1961, onde cinco jovens cineastas do movimento estudantil universitário, realizaram o filme “ Cinco Vezes Favela”, produzido pelo Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE). Dirigido por Carlos Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Marcos Farias e Miguel Borges, “Cinco Vezes Favela”  se tornaria um marco do cinema moderno brasileiro, um dos filmes fundadores do Cinema Novo.







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