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12 de dezembro de 2010

Napoleão Bonaparte vira Coronel Viravante aos olhos de Glauber Rocha

O acervo pessoal do cineasta baiano Glauber Rocha, atualmente arquivado no Tempo Glauber, fundação criada pela sua família, no Rio de Janeiro, está prestes a ser adquirido pelo Ministério da Cultura e será transportado para a Cinemateca Brasileira, em São Paulo.
No conjunto estão os 22 filmes feitos por Glauber, além de 80 mil documentos, que incluem sua correspondência pessoal, roteiros de filmes, peças de teatro, poemas e romances.

Deste total, 223 roteiros e projetos de livro permanecem inéditos.

Segundo o ministro da Cultura, Juca Ferreira, a compra está praticamente fechada e deve ser anunciada até o final do mês. “A família tem plena noção da importância de Glauber para a cultura brasileira, e nós temos condições melhores para preservar este material’’, diz.

De acordo com Ferreira, a negociação faz parte de uma política maior de aquisição de acervos do cinema brasileiro por parte do ministério, que vai disponibilizá-los ao público na Cinemateca.

“Boa parte da memória do cinema nacional se perdeu, porque a preservação sempre foi precária. E, hoje, na Cinemateca, temos os melhores equipamentos do mundo para isto’’, diz.

A Cinemateca está restaurando o filme “O Leão de Sete Cabeças’’, feito por Glauber em 1970. Será relançado em cópias de 35 milímetros. Em julho deste ano, o ministério adquiriu o acervo da Companhia Atlântida Cinematográfica, com mais de 60 longas-metragens produzidos entre 1942
e 1974.

Papéis revelam roteiro inédito sobre Napoleão Bonaparte

O último projeto do cineasta Glauber Rocha (1939-1981) era fazer um filme inspirado na vida de Napoleão Bonaparte (1769-1821). Um mês antes de morrer, ele escreveu um roteiro em francês, até hoje inédito, com as principais ideias do longa. Também mencionou o tema em cartas a
amigos.

Há algumas semanas, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, encontrou em sua biblioteca mais uma peça que ajuda a remontar esse projeto: a versão italiana do livro “O Império de Napoleão’’, de Stendhal (1783-1842), com anotações e rasuras feitas pelo cineasta.

A obra chegou às suas mãos em 1981, quando ele era presidente da Embrafilme. Glauber, que estava morando em Portugal, queria sensibilizá-lo a apoiar a produção. A estatal já havia patrocinado seu último filme, “Idade da Terra’’-cuja recepção pela crítica nacional e internacional foi terrível.

“Ele estava bastante deprimido por causa disto, mas falava de muitos planos’’, diz Amorim, que doou o livro à família de Glauber.

Os documentos não trazem uma ideia acabada e são, por vezes, contraditórios. Mas deixam claro que o longa teria muito pouco da biografia de Bonaparte e se prestaria a discutir temas comuns na obra
do cineasta, como liderança messiânica e revolução.

Nas margens do livro, ele anotou ideias gerais: “Os impérios materializam o inconsciente coletivo do povo através de seus patriarcas, que realizam as guerras purificadoras e fortificantes’’.

Também guardou, entre as páginas, um recorte de jornal falando de um leilão da Sotheby’s com armas do período napoleônico.

Já no roteiro, a história se passa nos anos 1980, num território “real e imaginário’’ chamado Trafalgar, na divisa entre Portugal e Espanha.




Reencarnação

O personagem central é Napoleão Viravante, proprietário de terras que se achava a reencarnação do general francês. Cercado por um exército de mercenários, ele pretendia conquistar a independência de seu país e dominar o mundo.

O texto é uma amostra típica do cinema conceitual de Glauber Rocha: “Na Caverna da Morte, protegidos por uma aranha gigante, estão guardados os títulos de propriedade de terra de Trafalgar’’. Irmã Vitória dos Ressuscitados, camponesa que fundou uma ordem religiosa, tem a missão de resgatá-los.

Em meio a intrigas políticas, Napoleão abandona sua mulher espanhola e decide se casar com uma amante africana. Napoleão é morto pela amante. O filme termina com um dançarino do balé Bolshoi assumindo o poder.

O roteiro, aparentemente nonsense, e com o qual o cineasta tentava levantar patrocínio na Europa, era apenas uma de suas ideias para este filme.

Antes de escrevê-lo, em carta a Celso Amorim, Glauber diz que já havia feito uma versão no Brasil, e pretendia fazer uma segunda.

“Este é o filme que vou fazer este ano, embora não saiba como [...] Se eu voltasse ao Brasyl, filmaria também “O Império de Napoleão’ com o título de “O Império de D. Pedro II’’’, escreveu. (Folhapress)

2 de maio de 2010

Projeto 5 vezes Favela de Cacá Diegues será apresentado em Cannes



O projeto "5 Vezes Favela" coordenado pelo cineasta Cacá Diegues fará parte da sessão especial do festival de Cannes deste ano, que se realizará entre os dias 12 e 23 de Maio. O filme que pretende ser, segundo Diegues, um filme bonito e de boa qualidade técnica da favela para ser mostrado "lá fora"  se auto-intitula "por nós mesmos".  É a favela vista pelos favelados! Os roteiros dos cinco curta-metragens que compõem o filme  foram concebidos à partir de oficinas e workshops ministrados por vários cineastas conhecidos como Fernando Meirelles, Walter Salles, Ruy Guerra, entre outros. 


Vamos conferir se este ponto de vista "autêntico" se diferencia de alguma maneira das imagens clichês da favela que proliferam na mídia. O ponto de partida de uma certa forma já foi comprometido, já que os olhares dos favelados foram treinados pela linguagem profissional do cinema e a maquinaria pesada do cinema de "qualidade" comercial estiveram aos seus serviços. Com certeza, esses novos cineastas da favela não devem ter tido muito espaço para uma espontaneidade criativa no set de filmagem. Atrelados a tal estrutura profissional, como assim eles podem afirmar "agora por nós mesmos"? 


Veja abaixo as sinopses das cinco estórias:


DEIXA VOAR -  Cadu Barcellos – Observatório de Favelas – Cadu Barcellos
Flavio, 17 anos, é morador de uma favela carioca. Ele deixa a pipa de um amigo “voar”  e agora tem que ir buscá-la na favela de uma facção rival à que ele mora, onde a pipa caiu. Mesmo com medo da aventura, ele vai buscar a pipa, descobrindo que as pessoas da favela rival em nada diferem das de onde ele mora.
CONCERTO PARA VIOLINO – Rodrigo Cardozo – AfroReggae – Luciano Vidigal
Ainda crianças, Márcia, Jota e Ademir fazem um juramento de amizade eterna. Agora adultos, com cerca de 20 anos de idade, Jota foi para o tráfico de drogas e Ademir entrou para a polícia. O enfrentamento entre os dois pode impedir que Márcia, agora violinista, realize seu sonho de uma bolsa de estudos musicais na Europa.
FONTE DE RENDA – Vilson Almeida – Cidadela/Cinemaneiro – Manaira Carneiro & Wavá Novais
Jovem realiza seu sonho de ser bem sucedido no vestibular e entrar para uma Faculdade de Direito, mas passa a encontrar dificuldades para dar conta dos gastos com livros, alimentação e  transporte. Ele então se sente atraído a vender drogas para amigos da faculdade, lucrando com isso o suficiente para custear seus estudos.
ARROZ COM FEIJÃO – José Antônio Silva – CUFA – Rodrigo Felha & Cacau Amaral
Para conseguir construir um quarto para o filho único, os pais de Wesley, de 12 anos, são obrigados a reduzir o cardápio de casa a arroz com feijão. No dia do aniversário do pai, o menino se junta ao amigo Orelha e sai, sem muito sucesso, em busca de recursos para comprar um frango de presente para ele.
ACENDE A LUZ” – Luciana Bezerra – Nós do Morro – Luciana Bezerra
É véspera de Natal e o morro está sem luz há três dias. Os técnicos enviados pela companhia de luz não conseguem resolver o problema, os moradores seqüestram um funcionário dela e o fazem de refém, até que a luz volte. O funcionário se integra à comunidade e acaba se tornando o herói dela na noite de Natal.


Assista aqui a promo do projeto.


A iniciativa se inspirou de um outro projeto de 1961, onde cinco jovens cineastas do movimento estudantil universitário, realizaram o filme “ Cinco Vezes Favela”, produzido pelo Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE). Dirigido por Carlos Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Marcos Farias e Miguel Borges, “Cinco Vezes Favela”  se tornaria um marco do cinema moderno brasileiro, um dos filmes fundadores do Cinema Novo.







26 de abril de 2010

Lançamento do Dicionário de Personagens Afrobrasileiros


Lançamento 6 de Maio, 18h
Livraria LDM, Salvador, Bahia
O Dicionário de Personagens Afro-brasileiros põe em cena as principais figuras literárias, nos séculos XX e XXI, na prosa narrativa, sobretudo, mas igualmente em algumas obras  poéticas e musicais, e em contos populares e infantis. O livro nasceu de uma preocupação com o surgimento da Lei 10.639/03, do Parecer no.3 e 4, do Conselho Nacional de Educação (CNE) e da Resolução CNE/CP 01/2004, que instituíram a obrigatoriedade do ensino de História da África e das culturas afrobrasileiras nos currículos das escolas públicas e particulares da Educação Básica.  
 negritude  já representa um  importante paradigma para o exame de expressões artísticas que abordam temáticas relacionadas às marcas da cultura africana nas Américas. Os processos de conscientização do valor de tais marcas africanas abrem o caminho para o resgate de todo um universo cultural que sobreviveu, durante séculos, oprimido e relegado ao segundo plano.  Nessa direção, chega-se aos processos demestiçagem aptos a mostrar que a identidade nacional  não é um caminho de mão única, mas, sobretudo, uma encruzilhada para onde convergem várias  formas  expressivas de saberes distintos.
O papel de todos - brancos, indígenas, negros - na formação da nação é inegável. Entretanto, pelas vicissitudes históricas, a cultura branca dominou as outras criando fendas profundas que ainda prejudicam o desenvolvimento social. Os debates sobre essa dominação são intensos e conduzem a muito desencanto em relação a qualquer esforço de valorização das culturas oprimidas, durante séculos.  Buscar a visibilidade de uma cultura, tratada como desigual, sempre levanta discussões relativas ao uso de um racismo inverso, estimulando comportamentos parecidos com os da etnia dominante.  É como se houvesse um movimento de racismo contra o branco, empreendido por negros e índios.
No entanto, todos os esforços de mostrar o peso do negro e do índio na formação nacional só tem um objetivo: apontar para uma riqueza cultural e patrimonial, que cria uma diversidade mestiça, destinada a estampar a originalidade desse país.  Essa obra inédita começa com os afrobrasileiros, contando uma história de dor, sofrimento e opressão, mas também de amizade, com festas, danças, sensualidade, criação artística, vivência popular, utopias políticas. Essa obra original começa homenageando os antepassados escravos dos brasileiros, e tudo que trouxeram, nessa rica transculturação, para fundar um Novo Mundo. Na sequência  do projeto de valorização de culturas oprimidas,  será necessário, mais adiante,  a observação e o exame de outras que tiveram a mesma importância no desenvolvimento do país.  Nesse momento, os pesquisadores da Universidade do Estado da Bahia, com o apoio da fundação de pesquisa do estado, sentem-se orgulhosos em formarem uma equipe de pesquisadores de vários estados, da França e da África, para reconhecerem a  herança incontornável de um dos  povos fundadores da nação.
Licia Soares de Souza
(Organizadora)

15 de setembro de 2009

Cinema brasileiro cresce 163%, mas público só aumenta 6,6%

Dados da Agência Nacional do Cinema indicam crescimento acelerado da indústria cinematográfica, mas bilheteria não segue a mesma tendência

A produção de filmes nacionais entre 2001 e 2008 aumentou 163%, mas o público desses mesmos filmes cresceu apenas 6,6%. Os cálculos feitos a partir de dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) mostram que o crescimento da indústria cinematográfica não é acompanhado pelo número de pagantes de ingressos.

Em 2001, foram produzidos 30 filmes nacionais, enquanto em 2008 o número foi de 79. Os dados de 2009 ainda não foram contabilizados. Desde o início do século 21, o principal salto ocorreu entre 2005 e 2006, quando, respectivamente, foram filmados 45 e 72 filmes.

O público, por outro lado, cresceu menos. 7.948.065 milhões de pessoas assistiram aos filmes brasileiros em 2001, enquanto 8.476.129 foram com o mesmo motivo aos cinemas em 2008. O crescimento foi de apenas 6,6 %, representando um número abaixo do melhor ano do cinema nacional no novo milênio.

O melhor ano do século para o cinema nacional, até agora, foi 2003. Mais de 22 milhões de pessoas viram as produções realizadas por estúdios brasileiros, ou seja, 2008 representa uma queda de 61% em relação ao melhor ano. Depois do pico de 2003, a curva de público caiu e estabilizou. No entanto, em 2008 configurou-se um crescimento de 159% em relação a 1995, considerado o ano da retomada e marcado pelo filme “Carlota Joaquina”, de Carla Camurati.


Depois da TV foi a vez das Organizações Globo encamparem com o seu monopólio o mercado cinematográfico brasileiro

O sucesso de 2003 pode ser explicado pelo alto número de lançamentos de sucesso. Sete produções superaram um milhão de espectadores. São elas “Carandiru”, “Lisbela e o Prisioneiro”, “Os Normais”, “Maria, mãe do filho de Deus”, “Xuxa abracadabra”, “Didi, o cupido Trapalhão” e “Deus é brasileiro”. Os sete longas-metragens foram produzidos pela Globo Filmes, que lidera o mercado nacional.

Desconsiderando a variação, mas apenas o ano de 2001 e 2008, é como se, hipoteticamente, cada novo filme lançado no período aumentasse o público nacional em apenas 10.785 mil pessoas.

A cadeia produtiva também possui uma variação de crescimento maior no período. As distribuidoras de filmes nacionais aumentaram em 220% e o número de salas cresceu 82,25%, quando comparamos 2001 com 2008.

Causas e efeitos

O diretor José Alvarenga Jr., que estreiou "Os Normais 2" (foto acima) em agosto, acredita que um dos fatores da variação menor do público em relação à produção são as opções de restrição da linguagem cinematográfica que alguns cineastas fazem. Segundo ele, nem todos os realizadores têm o prazer de falar com o grande público.

“Eu acho, por exemplo, que apesar das boas intenções, um filme por ano se comunicou com a massa de 2003 para cá. Um! Mas é muito pouco. Para você ter um público que descobre que o cinema brasileiro é um grande prazer, você tem que ter quatro, cinco filmes encadeados. É isso que faz o cinema americano ser bom, porque daí você faz a sua escolha”, opina Alvarenga. Ele completa: “Falta para a gente ainda essa quantidade de filmes que tenham esse perfil de querer dialogar com o público grande”.

Ismail Xavier (foto abaixo), professor do curso de Audiovisual da USP, aponta outras causas para o público não crescer. “Há vários fatores: domínio do mercado por Hollywood desde os anos 1920; hábitos do público; verbas necessárias à publicidade, cada vez maiores; aspectos da vida urbana (insegurança) que mantêm as pessoas em casa; preço do ingresso do cinema – hoje, uma diversão de classe média”, afirma.

No entanto, o professor acredita que “a distribuição é mesmo o maior gargalo, mas a exibição também é um problema – muitas cidades sem cinema e a concentração dos cinemas numa certa área nas grandes cidades”.

Álvaro de Carvalho Neto, produtor do filme “Manhã Transfigurada”, fala, por outro lado, que a questão está nas artimanhas da lei de Incentivo: “tem muito autor que prefere pegar o dinheiro do governo, filmar e não distribuir o filme. Ele não vai ter prejuízo”.

Ismail não acredita que esta seja uma prática comum. Para ele, “o fato de um filme já estar pago, não significa que o cineasta não se interessa pela exibição, pois isto seria suicídio cultural”. Alvarenga concorda, pois, para ele, um diretor interessado apenas em ganhar dinheiro, não fará um filme com qualidade.

Incentivo

O vale-cultura, projeto de lei do governo Lula, que pretende levar a população de baixa renda aos espetáculos culturais, pode ser uma saída para aumento do público do cinema. Os trabalhadores até cinco salários-mínimos terão um cartão mensal de R$ 50 que poderá ser gasto com cinema, teatro, CDs ou DVDs.

“O vale-cultura é fundamental, porque um dos problemas do cinema brasileiro é o ingresso que é caro para a classe desprivilegiada. Como essa classe consegue ter acesso ao cinema? “Divã”, que eu fiz recente, está pirateado e você encontra por R$ 4 o DVD. Esse público tem acesso à cultura de uma maneira distorcida, o que é ruim para a cadeia toda, é ruim para mim como autor que não ganha copyright para alguém estar ganhando em cima de mim. O vale-cultura reequilibra um pouco esse jogo, as pessoas passam a ter acesso ao conteúdo com a qualidade que ele foi pensado”, defende Alvarenga.
Abril Online, Rafael Kato, 28/08/2009.

10 de junho de 2009

HOME na internet!


O site de vídeos YouTube exibe o primeiro filme que terá lançamentos quase simultâneos nos cinemas e na web. Estréia nas telas de cinema de 50 países e nos computadores de todo o mundo o filme "Home", dirigido por Yann Arthus-Bertrand e produzido pelo cineasta Luc Besson. Assista e baixe grátis até dia 14 de junho aqui! Existem versões em quatro línguas: Francês, Inglês, Alemão e Espanhol. Vale a pena ver nos dois suportes seja no computador quanto nas telonas de cinema! O filme é de uma beleza abstrata com um discurso demolidor sem deixar de ser didático. 

HOME - Making of Brasil




 

17 de abril de 2007

"ÊXODOS" do fotógrafo Sebastião Salgado para download

O conjunto de livros Êxodos - Programa Educacional Leituras, Narrativas e Novas Solidariedades do mundo Contemporâneo do fotojornalista brasileiro Sebastião SalgadoSescOnline. O site traz para os educadores um conjunto de sugestões para a apropriação pedagógica do rico material educativo oferecido pelo Programa Êxodos, baseado na obra de Sebastião Salgado.
está disponível para download através de uma ação educativa conjunta com o

Faça aqui o download de livros sobre o fotógrafo.


Leia abaixo trecho do livro sobre a vida e obra do fotógrafo Sebastião Salgado.

Se indagado o nome do maior fotógrafo brasileiro de todos os tempos, poucas pessoas ousarão responder um nome diferente de Sebastião Salgado. Se a pergunta admitir apenas os fotógrafos em atividade, de certo não restará dúvida. Esse mineiro de 63 anos (08 de Fevereiro de 1944, Aimorés, MG), doutor em economia, casado, pai de dois filhos, fotógrafo profissional há menos de três décadas, tornou-se unanimidade internacional.

Definitivamente, a fotografia caiu como um raio sobre a cabeça de Salgado. Diferente de Cartier-Bresson, que já manuseava câmeras fotográficas desde a tenra infância e seguia os caminhos das artes em ateliês de desenho e pintura, Salgado tirou seu primeiro retrato em 1971, aos 27 anos. Nessa ocasião, vivia em Paris com sua mulher, a arquiteta Lelia Wanick Salgado, que fora obrigada a comprar uma câmera Pentax para fotografar apartamentos. Seu marido "roubou-lhe" a câmera por um instante e tirou um retrato seu, sentada no parapeito da janela, em um dia de sol. Maravilhado com o resultado de sua imagem em contraluz, seguiria captando retratos da mulher e das crianças e trocaria o filme colorido pelo negativo em preto e branco. As imagens de cunho social que o deixaram famoso repetem, freqüentemente, a mesma iluminação contrária de sua primeira foto. Lelia afirma que o ex-economista não mais lhe devolveu a câmera, até comprar sua primeira Leica.

Salgado é outro adepto da marca alemã, repetindo a predileção de Cartier-Bresson. Usa, normalmente, três câmeras Leica, cada uma com uma lente diferente: uma 28 mm, uma 35 mm e uma 60 mm. Além desse pequeno arsenal, costuma carregar uma lente zoom, raramente utilizada, com a qual se distancia do objeto para fazer 2% a 3% de suas fotos. Usa negativos P&B da Kodak, principalmente o Tri-X, com ISO 400.

No lugarejo de 200 habitantes onde nasceu, perto da pequena Aimorés, cidade interiorana de Minas Gerais, não havia câmaras fotográficas. O pai era criador de gado em uma fazenda de 700 hectares, hoje propriedade do casal. Criança, passou 30 horas dentro de um trem para chegar à capital do Estado. A sofrida paisagem admirada à janela do vagão marcaria Salgado e estaria presente em um de seus primeiros ensaios fotográficos: os trabalhadores das indústrias do Vale do Aço, em Minas Gerais, recorrentes às margens de toda a estrada de ferro.

De Belo Horizonte, Salgado mudou-se para Vitória - ES, onde conheceu Lelia, completou o segundo grau e iniciou o curso de economia na Universidade Federal do Espírito Santo. A graduação só seria completada na Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, onde obteve, também, o título de mestre. Não bastando, Salgado concluiu novo mestrado em economia na Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos, e partiu para um doutorado na Universidade de Paris, junto com Lelia, doutoranda em arquitetura, no final dos anos 60.

Trabalhava para a Organização Internacional do Café, com sede em Londres, quando foi enviado para coordenar um projeto nas cafezais de Angola, em 1971. Daí, trouxe alguns rolos de filme fotografado e pediu demissão na empresa. Abandonou as planilhas e a calculadora e tornou-se fotógrafo em 73. Trabalhando como autônomo nos primeiros anos, Salgado passou pelas agências Gamma e Sigma entre 1975 e 1979. De 79 a 94, associou-se à agência Magnum e, em 94, fundou a Amazonas Images, em Paris, para produzir exclusivamente fotos de sua autoria. Com ele, trabalham sua mulher e três ou quatro auxiliares, responsáveis por grande parte do trabalho em laboratório, pelas ampliações e catalogações.

Durante todos esses anos, Salgado fotografou, no Brasil, os garimpeiros de Serra Pelada, os cortadores de cana do Nordeste, os poucos Yanomami que ainda sobrevivem no sul da Amazônia e os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Fora daqui, documentou os andarilhos no deserto de Sahel, os flagelados pela fome e pela guerra civil em Ruanda e no Quênia, os refugiados de guerra no Irã, na Jordânia, na Bósnia, os trabalhadores de carvoarias, minas de carvão e de ferro, e camponeses de diversos cantos do mundo, os mexicanos que tentam ultrapassar a fronteira com os Estados Unidos, entre tantos outros temas marcadamente sociais.

Desde 1993, Salgado vem documentando o movimento migratório das populações de todo o mundo. Segundo ele, em 1985, 30 milhões de pessoas viviam fora de seus países de origem, número que aumentou para 130 milhões nos dias de hoje. São cerca de 10 milhões de novos emigrantes a cada ano, o que justifica a relevância do tema escolhido. A população mundial aumenta em 100 milhões de pessoas por ano (dez vezes a população de Portugal), dos quais 95% são nascidos em países em desenvolvimento, incapazes de lhes oferecer condições de vida dignas. O mundo chega ao ano 2000 com 6 bilhões de habitantes, o dobro da população do planeta em 1960, 40 anos atrás. Os movimentos populacionais realizados no interior de um mesmo país não são menos importantes e apresentam situação tão desalentadora quanto o movimento internacional. A cada ano, entre 40 e 50 milhões de pessoas dirigem-se às regiões urbanas de diversos países. Somente na década de 1990, há menos de dez anos, a maioria da população brasileira pôde ser flagrada habitando as cidades, trocando o campo por conglomerados urbanos cada vez mais inchados e caóticos. Os princípios resultantes dessas análises despertaram Salgado para algumas dezenas de reportagens, realizadas durante sete anos em 45 países. Uma pequena amostra do universo de milhares de imagens conservadas pelo fotógrafo pode ser observada na exposição Êxodos e nos dois livros que acompanham a exposição.

A visibilidade adquirida por Sebastião Salgado e alguns outros fotógrafos na imprensa nacional e internacional tem contribuído para um olhar diferenciado sobre esses fenômenos sociais. Nas palavras de Eduardo Galeano:

"Os retratos de Salgado oferecem um retrato múltiplo da dor humana. Ao mesmo tempo, convidam-nos a celebrar a dignidade humana. São de uma franqueza brutal essas imagens de fome e de pena, e, no entanto, têm respeito e pudor. Nada a ver com o turismo da miséria..."

16 de abril de 2007

Cultura e Pensamento


Para saber mais clique aqui
Informações: info@culturaepensamento.com.br
telefax: (71) 3321 2869

10 de janeiro de 2007

Olhares Neo-realistas

O meio da rua, o meio do mundo

Bernardo Scartezini

Com a queda do governo fascista de Benito Mussolini, as bombas pararam de cair sobre a Itália. E os cineastas do país puderam voltar à ação, para contar os mortos, contabilizar os estragos e descobrir que a segunda guerra mundial arrasou com seus estúdios de cinema. Enfim, não foi por outro motivo que o cinema italiano deixou as certezas e os madeirites dos sets para ganhar as incertezas e as ruínas da praça pública.

O cinema ganhou as ruas. E muita gente não voltaria mais. A grande revolução italiana, que abriu o caminho para o cinema moderno como o conhecemos, ocupa a tela do CCBB São Paulo. A mostra Olhares Neo-realistas se estende de três a 28 de janeiro – em seguida, se muda para o CCBB de Brasília.

São 36 filmes que esmiúçam não apenas o primeiro momento do assim chamado neo-realismo italiano como ainda trazem alguns antecedentes históricos e vários efeitos colaterais dos anos seguintes. A produção é da cineasta carioca Gisela Cardoso Franco, autora do documentário Palco livre – Uma janela para a MPB e do curta Canção para duas moças. Gisela apresentou nos CCBBs, em 2005, uma detalhada retrospectiva da carreira do ator Paulo José.

O neo-realismo italiano. É arriscado apontar marcos exatos na história do cinema. Mas se há um filme que se estabelece como unanimidade para divisões de águas, eis ''Roma, cidade aberta'', que Roberto Rossellini rodou em 1945. Roma, de fato, tinha acabado de ser aberta pelas tropas aliadas. O desmonte do regime fascista, no final de 1944, isolou a Alemanha de Hitler, que não passaria de abril de 1945.

Roberto Rossellini (1906-1977) nasceu em uma rica família romana, estudou cinema durante o período fascista e chegou a ser assistente de direção de ''Benito Mussollini'', uma cinebiografia assaz simpática ao Duce, assinada pelo conformista Pasquale Prunas. O final da segunda guerra encontrou Rossellini bem-treinado em sets e disposto a dar novas versões à realidade italiana. Seu movimento de ganhar as ruas rendeu ''Roma, cidade aberta'' (foto), onde se permitiu algumas ousadias para a época. Na ausência de figurantes alinhados pelo estúdio, Rossellini filmou o povo nas ruas, os transeuntes, os trabalhadores. Na falta de elenco imposto pelos produtores, Rossellini trabalhou com não-atores (à exceção de Anna Magnani e dois ou três), com gente que não tinha formação teatral nem nada, mas simplesmente tinha o rosto, o físico e a vivência que a ele interessavam.

Natural, portanto, que esse sair para as ruas significasse também uma mudança de olhar. Uma mudança no conteúdo do próprio filme. Não mais épicos, histórias adaptadas do teatro ou dos romances do século 19. Mas a história daquele momento. A pequena história de cada pessoa. As histórias comuns. O cotidiano.

''Roma, cidade aberta'' mostra assim a situação de opressão e incerteza a que ficou submetida a população italiana durante a ocupação alemã. Mostra como, apesar da aliança entre os regimes italiano e germânico, o povo romano – o povo italiano – esteve contrário a essa situação. O filme foi aclamado no Festival de Cannes, levou a láurea máxima e abriu caminho para novas temáticas e novas estéticas no cinema europeu e mundial.

Não é exagero apontar o neo-realismo italiano como precursor da nouvelle vague francesa e do cinema novo brasileiro. Jean-Luc Godard e Glauber Rocha tratavam Rossellini como mestre. Cada um a sua maneira, esses dois cineastas abraçaram discursos de esquerda e essas pequenas grandes liberdades cinematográficas: câmera na rua, luz natural, gente de verdade, pequenas histórias cotidianas.

A escolinha Rossellini

Roberto Rossellini faria ''Paisá'' em 1946 e seguiria uma intensa carreira. Mas claro que não foi o único pioneiro das ruas de Roma. Vittorio De Sica e Luchino Visconti, para citar dos discípulos de primeira hora, logo assumiriam seus projetos e não tardariam a apresentar dois clássicos do neo-realismo, respectivamente ''Ladrões de bicicleta'' (1948) e "Rocco e seus irmãos" (1960; ausente da mostra).

De certa forma, o neo-realismo apresentou mais do que uma opção estética-política naqueles anos 1940, 1950 e início de 1960. Seria praticamente o discurso hegemônico dos novos cineastas italianos, a partir do qual se sentiriam livres para seguir seus próprios caminhos individuais. Federico Fellini, Michelangelo Antonioni, Pier Paolo Pasolini, Alberto Lattuada. Todos eles começaram com filmes francamente sociais, mas aos poucos foram trabalhando suas subjetividades. "Noites de Cabíria" (1955), presente na mostra e recém-lançado em DVD, é o último filme de Fellini ainda distante de seus mares de plástico circenses e de sua poesia delirante e melancólica que atingiria o ápice em clássicos como "A doce vida" e "Fellini Oito e meio". Neste "Noites de Cabíria", Fellini já tem por perto sua adorada Giulietta Masina, já começa a espetar o catolicismo italiano e tem como protagonistas os marginais da sociedade (prostitutas e malandros), um apreço que se seguirá nas obras posteriores e que nasceu não apenas de sua paixão pelo circo mas também do olhar neo-realista.

Fellini, Lattuada e Antonioni chegaram a colaborar entre si nos primeiros filmes, dividindo por vezes a direção ou a assinatura do roteiro. Mas logo cada um seguiria seu estilo. E o neo-realismo seria revisitado por novos realizadores italianos. Principalmente na geração do cinema político dos anos sessenta. Como destaque maior dessa segunda safra neo-realista, o documentário "A batalha de Argel" (de 1966) merece destaque na programação da mostra Olhares Neo-realistas. Nesse filme, Gillo Pontecorvo foi um passo além de Rossellini naquele limite entre ficção-documentário. Rossellini já tinha dado um banho de realidade no cinema, ao colocar a câmera na rua e trabalhar com não-atores. Pois agora Pontecorvo reconstituía cenas de batalha da milícia argelina contra as tropas coloniais francesas usando como atores os protagonistas reais dessas aventuras e usando como palco as ruas onde de fato os choques aconteceram. Um estilo de documentário que influenciou diretamente o "Cabra marcado para morrer" de Eduardo Coutinho.

Vários realismos

Como se vê, as influências do neo-realismo são abrangentes e ainda perceptíveis (pense em Cidade de Deus, por exemplo). Natural que estes Olhares Neo-realistas tragam então frutos extemporâneos e internacionais da proposta neo-realista.

É o caso, por exemplo, do cinema político latino-americano dos anos sessenta. Como "Os inundados" (1961), do argentino Fernando Birri, "O jovem rebelde" (1962), do cubano Julio Garcia Espinosa, e "Histórias da revolução" (1960), do também cubano Tomás Gutiérrez Alea. Uma influência menos clara, mas também presente na temática, pode ser encontrada em "Porto das caixas" (1962), do brasileiro Paulo César Saraceni, raridade de cinemateca. O filme de Saraceni, aliás, é ainda tributário dos dois filmes que Nelson Pereira dos Santos filmou no Rio de Janeiro e serviram como ponto de partida não-oficial do cinema novo: "Rio 40 graus" (1955) e "Rio zona norte" (1957). O mais importante movimento da cinematografia nacional, aliás, será o tema da próxima mostra do CCBB de São Paulo, a Revisão do Cinema Novo, a partir de 31 de janeiro.

Texto de divulgação, fonte: CCBB-SP

Olhares Neo-realistas
De 3 a 28 de janeiro
Ingressos a R$ 4 e R$ 2 (meia)
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
Local: Cinema (69 lugares)
Informações: (11) 3113-3651
E-mail: ccbbsp@bb.com.br


O Neo-Realismo pôs o cinema na rua, filmando em locações, longe dos estúdios e com atores não-profissionais. Utilizou equipes pequenas, poucos equipamentos e desenvolveu uma dramaturgia entranhada no cotidiano do homem comum, dos seus anseios e temores, usando os pequenos dramas da vida real como matéria-prima essencial dos filmes. Com uma duração relativamente curta, e com a intenção de não ser apenas um cinema social, mas sobretudo político, o movimento gerou filmes-marcos que causaram grande impacto sobre outras cinematografias. Essa mostra pretende fazer um breve panorama do cinema neo-realista italiano e abordar, por meio de debate, algumas de suas extensões e influências, motivando assim uma reflexão sobre como o movimento dialogou com outras cinematografias, em especial com a latino-americana.

Confira a programação:

Obsessão , de 03/01/2007 às 14:30 a 28/01/2007 às 12:56
Toni , de 03/01/2007 às 17:00 a 07/01/2007 às 17:00
Aniki bóbó , de 03/01/2007 às 19:00 a 11/01/2007 às 13:00
Roma, cidade aberta , de 04/01/2007 às 15:00 a 16/01/2007 às 18:00
Paisá , de 04/01/2007 às 15:00 a 17/01/2007 às 19:00
A terra treme , de 04/01/2007 às 19:00 a 09/01/2007 às 14:30
Arroz amargo , de 05/01/2007 às 15:00 a 10/01/2007 às 13:00
O caminho da esperança , de 05/01/2007 às 17:00 a 24/01/2007 às 15:00
Alemanha, ano zero , de 05/01/2007 às 19:00 a 18/01/2007 às 17:00
A cidade se defende , de 06/01/2007 às 15:00 a 12/01/2007 às 15:00
O teto , de 06/01/2007 às 17:00 a 26/01/2007 às 13:00
A batalha de Argel , de 06/01/2007 às 19:00 a 21/01/2007 às 15:00
Sem piedade , de 07/01/2007 às 15:00 a 20/01/2007 às 13:00
Os esquecidos , de 09/01/2007 às 19:00 a 16/01/2007 às 14:00
Umberto D , dia 10/01/2007 às 15:00
Porto das caixas , de 11/01/2007 às 17:00 a 27/01/2007 às 19:00
Vítimas da tormenta , de 12/01/2007 às 13:00 a 17/01/2007 às 15:00
Fábula.. Minha casa em Copacabana , de 13/01/2007 às 13:00 a 17/01/2007 às 17:00
O grande momento , de 13/01/2007 às 17:00 a 25/01/2007 às 15:00
Ladrões de bicicleta (foto-cartaz), de 13/01/2007 às 19:00 a 25/01/2007 às 13:00
Rio, zona norte , de 14/01/2007 às 13:00 a 27/01/2007 às 13:00
Agulha na palheiro , dia 14/01/2007 às 15:00
Rio, 40 graus , de 16/01/2007 às 16:00 a 27/01/2007 às 15:00
Vítimas da tormenta , dia 17/01/2007 às 15:00
O sol ainda se levantará , de 18/01/2007 às 13:00 a 21/01/2007 às 19:00
El mégano e O jovem rebelde , de 19/01/2007 às 13:00 a 21/01/2007 às 17:00
Ana e Los inundados , dia 19/01/2007 às 15:00
Morte de um ciclista , dia 19/01/2007 às 19:00
Tire dié e Histórias da revolução , dia 20/01/2007 às 15:00
El verdugo , dia 20/01/2007 às 17:00
Largo viaje , de 20/01/2007 às 19:00 a 23/01/2007 às 15:00
Tire dié e Los inundados , dia 21/01/2007 às 13:00
Cuba baila , dia 23/01/2007 às 13:00
Cronica de um nino solo , dia 23/01/2007 às 17:00
O posto , de 23/01/2007 às 19:00 a 25/01/2007 às 19:00
Ana e Agulha na palheiro , dia 24/01/2007 às 17:00
Nós que nos amávamos tanto , de 25/01/2007 às 17:00 a 28/01/2007 às 19:00
Mamma Roma , dia 26/01/2007 às 15:00
Noites de cabíria , de 26/01/2007 às 17:00 a 28/01/2007 às 13:00
As amigas , de 26/01/2007 às 19:00 a 28/01/2007 às 15:00
Ana e Fábula.. Minha casa em Copacabana , dia 27/01/2007 às 17:00

Acordos Cinematográficos Brasil - Canadá

Escola canadense de animação faz palestra no Rio
A escola canadense de animação Max the Mutt fará uma apresentação no dia 17 deste mês, no Rio de Janeiro, sobre seus programas, estratégias, metodologias e resultados. O evento é voltado às escolas ligadas à animação, mas a palestra é extensiva a estudantes, profissionais, produtoras e interessados. Além da apresentação, haverá uma palestra técnica e demonstrativa da Toon Boom, fabricante canadense de software para animação. O evento acontece no SENAC Copacabana. A entrada é gratuita, mas as vagas são limitadas.

Festival de documentários no Canadá busca filmes brasileiros
O HotDocs, Festival Internacional de Documentário do Canadá, está aceitando inscrições de produções brasileiras para a sua edição deste ano, entre os dias 19 e 29 de abril, em Toronto. Eles farão parte da programação especial "Made in Brazil 2007", um dos destaques do evento. O festival é o maior sobre documentários da América do Norte, e apresenta sempre uma seleção de mais de 100 documentários canadenses e estrangeiros. Podem participar documentários de qualquer duração e conteúdo. As inscrições vão até o dia 15 de janeiro.

São Paulo sediará 2º Encontro de Co-Produção Brasil - Canadá
Para fortalecer o plano da área audiovisual que aproxima produtores brasileiros e canadenses, iniciado em março de 2006, será realizado nos próximos dias 15 e 16 o 2° Encontro de Co-Produção Brasil - Canadá. O evento deverá reunir 150 pessoas, sendo cerca de 40 representantes de TVs e produtoras canadenses, associações profissionais do setor e entidades oficiais da área de audiovisual do Canadá. Uma série de palestras com profissionais canadenses e brasileiros acontecerá durante o encontro. Em paralelo, será realizada, no dia 16, uma rodada de negócios com empresários do Canadá. O evento conta com o apoio institucional daquele governo, do Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo (Siasesp), da Associação Brasileira das Produtoras Independentes de Televisão (ABPI-TV), da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) e do Ministério da Cultura.

16 de novembro de 2006

Mostra Cinema e Cultura das Bordas

De 21 a 26 de novembro de 2006 Centro Cultural São Paulo
Organização: Centro de Estudos da Oralidade, PUC-São Paulo (Adriano Sousa, André Nóbrega, Marcos de Medeiros e Elen Döppenschmitt)

A mostra Cinema e Cultura das Bordas pretende promover um espaço de discussão a respeito de possíveis paisagens culturais construídas a partir de e por grupos sociais considerados à margem. Pensando nisso, privilegiamos alguns filmes que compreendem estéticas e inovações que pertencem a um tipo de produção cinematográfica, referentes a este universo no cenário nacional e estrangeiro.

Mais que um lugar de excelência, as obras selecionadas desenham uma cartografia, de um imaginário de comunidades que não fazem parte de grupos hegemônicos de poder, mas que se expressam de um modo peculiar, revelando diferenças quanto à própria possibilidade de representação na contiguidade das mídias. Trata-se de pensar, a partir do cinema, o mundo dos limites: aquele universo que não está institucionalizado e nem separado por critérios folclorizantes.

Assim, já não caberia mais pensar em centro e periferia, em dentro e fora, mas naquilo que é possível ser construído no “entre”. Se esse espaço de intermediação é verdadeiro, não se privilegiará o enaltecimento de nenhum segmento em favor de outro. Serão incorporadas produções de diferentes sistemas culturais. Desta forma, contemplam-se múltiplas linguagens: oralidades mediatizadas, criação e recriação de imagens a partir da idéia de textos recombináveis, tendo como eixo questões da memória.

As obras escolhidas evidenciam o processo de produção artística em cinema e vídeo o qual imprime sua marca, quando se trata de pensar a cidade como um grande laboratório de experiências inter-culturais que comprometem diferentes grupos que, juntos ou separados, deambulam construindo poeticidades imagéticas e sonoras captadas pela câmera. São práticas e contruções, em diversos registros, que presentificam a vida popular em seus caminhos, conquistas, e impasses.

Para a convocação desses diretores não partimos de critérios pré-estabelecidos que possam garantir abrangência. Buscamos algumas obras capazes de traduzir essas zonas de fronteira, seja através de aspectos da linguagem cinematográfica em si, até possíveis trânsitos com segmentos diversos da cultura, através de diferentes modos de interação entre “filmadores” e “filmados”.

É possível pensar então que, a partir de distintos pontos de vista, esses cineastas – trabalhadores da cultura –, organizaram, capturaram, lembraram e relembraram os trajetos, encontros do homem em seus cotidianos e transgressões.


“CINEMA E CULTURA DAS BORDAS”
Cronograma de exibição:

dia 21 - terça

16h
Basquiat - traços de uma vida
(Basquiat, EUA, cor, 1996, 106min)
direção: Julian Schnabel
elenco: Jeffrey Wright, Michael Wincott, Benicio Del Toro, Claire Forlani
Em 1981, um grafiteiro é descoberto por Andy Warhol e torna-se uma estrela. Entretanto, esse sucesso terá um preço muito alto.

18h
À margem da imagem
(Brasil, 2003, cor, 72min)
direção: Evaldo Mocarzel
Documentário sobre moradores de rua da cidade de São Paulo, que discute a estetização da miséria.

20h
Palestra Cinema e cultura das bordas com: Jerusa Pires Ferreira e Ellen Cristina Koch Vaz Döppenschmitt


dia 22 - quarta

16h
Tapete vermelho
(Brasil, 2006, cor, 100min)
direção: Luiz Alberto Pereir
elenco: Matheus Nachtergaele, Vinícius Miranda, Gorete Milagres, Rosi Campos
Um homem que mora em uma roça e resolve cumprir uma promessa de levar seu filho Neco para assistir a um filme estrelado por Mazzaropi em uma sala de cinema, assim como fez seu pai quando ele era garoto. O caipira e sua família viajam pelas cidades em busca de um cinema que possa exibir o filme.

18h
Pretty Diana
(Pretty Dyana, Sérvia, 2003, cor, 45min - Falado em Sérvio com legendas em inglês)
direção: Boris Mitic
Um olhar íntimo sobre os refugiados ciganos num subúrbio de Belgrado, Sérvia, que ganham a vida transformando o Citroen 2CV no “carro Dyana”, um carro reciclado, que utilizam para transportar papelão, garrafas e ferro velho. Entretanto, a polícia nem sempre acha esses estranhos veículos engraçados.

Artesãos da morte
(Brasil, 2001, cor, 18min)
direção: Miriam Chnaiderman
A partir do imaginário popular sobre o morto, trabalhadores que lidam diariamente com cadáveres falam da vida e da morte.

Pixador
(Brasil, 2000, cor, 23min)
direção: Guiomar Ramos
Documentário que se passa em São Paulo, onde a “tribo dos pixadores” trabalha a paisagem urbana com suas letras angulosas e seus símbolos e códigos. O filme acompanha um jovem pixador em suas incursões noturnas.

Cultura RAP - comunicação e linguagem das bordas (SAMPLES)
(Brasil, 2005, cor, 10min)
direção: Celso Rosa
Documentário produzido a partir de estudo sobre as mídias e da observação empírica sobre a cultura jovem desenvolvida nas periferias das grandes cidades. O filme, que tem como foco o bairro paulistano de Capão Redondo, concentra-se na fabricação de linguagens e repertórios desses moradores.

20h
Amarelo Manga
(Brasil, 2002, cor, 101min)
direção: Cláudio Assis
elenco: Matheus Nachtergaele, Jonas Bloch, Dira Paes, Chico Diaz
Histórias de encontros e desencontros que acontecem em Recife, no cotidiano de personagens exóticos: um açougueiro casado com uma evangélica, um traficante necrófilo, a dona de um botequim e um cozinheiro homossexual.


dia 23 - quinta

16h
A vida sonhada dos anjos
(La vie rêvée dês anges, 1998, cor, 113min)
direção: Eric Zonka
elenco: Élodie Bouchez, Natacha Regnier, Grégoire Colin
A mochileira Isa chega a cidade de Lille e conhece a solitária Marie. As duas passam a morar juntas no apartamento de uma senhora e sua filha que estão hospitalizadas, em coma. A amizade se enfraquece quando Marie se apaixona por um jovem rico e fútil.

18h
A cidade está tranqüila
(La ville est tranquille, França, 2001, cor, 132min)
direção: Robert Guédiguian
elenco: Ariane Ascaride, Gérard Meylan, Jean-Pierre Darroussin
Histórias que se cruzam, cada uma com suas particularidades. A da operária do mercado de peixes com sua filha viciada, a do jovem rapaz da periferia que luta para subir na vida, a dos militantes racistas de extrema-direita, a de um motorista de táxi que procura o amor em vão, a de um jovem pianista superdotado e a de um casal de aposentados.

20h15
Cidade baixa
(Brasil, 2005, cor, 93min)
direção: Sérgio Machado
elenco: Wagner Moura, Lázaro Ramos, Alice Braga, Harildo Deda
Dois amigos de infância que trabalham em um barco e dão carona a uma garota de programa que deseja ir a Salvador para, durante o carnaval, arranjar um gringo rico. Aos poucos a atração entre eles cresce, criando um triângulo amoroso.


dia 24 - sexta

16h
De passagem
(Brasil, 2003, cor, 87min)
direção: Ricardo Elias
elenco: Silvio Guindane, Fábio Nepô, Lohan Brandão, Glennys Rafael,
Após receber a notícia de que seu irmão, envolvido com o tráfico de drogas, foi assassinado, rapaz se une a um amigo de infância para encontrar o corpo, abandonado em algum canto da cidade de São Paulo. Durante o percurso, os dois relembram o passado.

18h
Nem gravata, nem honra
(Brasil, 2001, cor, 70min)
direção: Marcelo Masagão
As diferenças entre homens e mulheres na pequena cidade de Cunha, situada na divisa entre Rio de Janeiro e São Paulo. Os entrevistados, cidadãos comuns, expõem sua noção do mundo e da diferença entre os sexos. Masagão descobre a alma de Cunha e, por extensão, de grande parte das pequenas cidades do interior paulista. O diretor exibiu o filme semipronto para suas personagens e registrou suas reações.

20h
Terra estrangeira
(Brasil/Portugal, 1995, cor, 100min)
direção: Walter Salles e Daniela Thomas
elenco: Fernando Alves Pinto, Alexandre Borges, Laura Cardoso, Tchéky Karyo
A mãe de Paco pretende retornar ao seu país de origem, mas morre ao ver seu sonho desmoronar com o confisco do plano Collor. O rapaz decide realizar a viagem planejada por ela, mas, como não tem dinheiro, aceita levar um objeto contrabandeado para Lisboa em troca da passagem e da hospedagem.


dia 25 - sábado

16h
À margem da imagem

18h
Pretty Diana
Artesãos da morte
Pixador
Cultura RAP - comunicação e linguagem das bordas (samples)

20h
Basquiat - traços de uma vida


dia 26 - domingo

16h
Central do Brasil
(1998, cor, 112min)
direção: Walter Salles
elenco: Fernanda Montenegro, Vinícius de Oliveira, Marília Pêra, Soia Lira
Mulher que escreve cartas para analfabetos na estação Central do Brasil (RJ) ajuda menino, cuja mãe morre em um acidente, a encontrar o pai no interior do Nordeste.

18h
Tapete vermelho

20h
Contra todos
(Brasil, 2003, cor, 100min)
direção: Roberto Moreira
elenco: Leona Cavalli, Silvia Lourenço, Ailton Graça, Giulio Lopes
Na periferia de São Paulo, integrantes de uma família tentam desesperadamente mudar de vida, mas não conseguem escapar de seu destino.

2 de novembro de 2006

Festivais & Concursos

A sexta edição do Fluxus – Festival de Cinema na Internet, que começa no dia 19 de dezembro, recebe inscrições até o dia 3 de novembro de trabalhos com até 15 minutos, produzidos entre 2005 e 2006, de qualquer gênero e realizados em qualquer formato. O festival apresenta ainda a nova categoria Cinemobile, dedicada aos filmes curtos feitos com celulares.
Fonte: Folha de São Paulo, 29/10

O Festival Nórdico de Cinema para Jovens (NUFF) e a Fundação Menor para Desafios Maiores estão lançando o Concurso de Idéia, destinado a cineastas de todo o mundo, com idades entre 18 e 30 anos, e que tem como tema a mudança climática. As dez melhores idéias receberão US$ 5 mil, cada uma, para a produção do filme, que deverá ter duração máxima de 15 minutos. A escolha será feita por júri internacional formado por profissionais de cinema e especialistas em meio ambiente.
Fonte: Notícias do MinC, 27/10

MinC abre inscrições para programa de apoio a curtas de animação. O Programa de Apoio à Produção e Difusão de Filmes de Animação terá seu regulamento divulgado pelo CTAv (Centro Técnico Audiovisual), nesta sexta-feira (03/10). As inscrições poderão ser feitas até o dia 5 de dezembro. O programa tem como objetivo patrocinar a finalização de cinco obras inéditas no gênero filme de animação.
Fonte: Folha Online, 30/10

13 de setembro de 2006

Votorantim abre seleção pública para projetos culturais

O Grupo Votorantim está com inscrições abertas até o dia 27/10 para o processo de seleção pública de projetos culturais nas mais diversas áreas, como música, artes visuais, cinema, literatura, e patrimônio cultural. O concurso é destinado à produtores e promotores culturais, empresas e instituições com projetos previamente aprovados, ou a serem aprovados até o final da seleção, pelas leis de incentivo à cultura, Rouanet e do Audiovisual. O grupo irá destinar R$ 4 milhões para financiar os projetos classificados, tanto na área de produção como exibição; circulação; difusão e distribuição; formação de público e mediadores; e práticas culturais.
Fonte: Notícias do MinC, 12/09

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