15 de setembro de 2009

Cinema brasileiro cresce 163%, mas público só aumenta 6,6%

Dados da Agência Nacional do Cinema indicam crescimento acelerado da indústria cinematográfica, mas bilheteria não segue a mesma tendência

A produção de filmes nacionais entre 2001 e 2008 aumentou 163%, mas o público desses mesmos filmes cresceu apenas 6,6%. Os cálculos feitos a partir de dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) mostram que o crescimento da indústria cinematográfica não é acompanhado pelo número de pagantes de ingressos.

Em 2001, foram produzidos 30 filmes nacionais, enquanto em 2008 o número foi de 79. Os dados de 2009 ainda não foram contabilizados. Desde o início do século 21, o principal salto ocorreu entre 2005 e 2006, quando, respectivamente, foram filmados 45 e 72 filmes.

O público, por outro lado, cresceu menos. 7.948.065 milhões de pessoas assistiram aos filmes brasileiros em 2001, enquanto 8.476.129 foram com o mesmo motivo aos cinemas em 2008. O crescimento foi de apenas 6,6 %, representando um número abaixo do melhor ano do cinema nacional no novo milênio.

O melhor ano do século para o cinema nacional, até agora, foi 2003. Mais de 22 milhões de pessoas viram as produções realizadas por estúdios brasileiros, ou seja, 2008 representa uma queda de 61% em relação ao melhor ano. Depois do pico de 2003, a curva de público caiu e estabilizou. No entanto, em 2008 configurou-se um crescimento de 159% em relação a 1995, considerado o ano da retomada e marcado pelo filme “Carlota Joaquina”, de Carla Camurati.


Depois da TV foi a vez das Organizações Globo encamparem com o seu monopólio o mercado cinematográfico brasileiro

O sucesso de 2003 pode ser explicado pelo alto número de lançamentos de sucesso. Sete produções superaram um milhão de espectadores. São elas “Carandiru”, “Lisbela e o Prisioneiro”, “Os Normais”, “Maria, mãe do filho de Deus”, “Xuxa abracadabra”, “Didi, o cupido Trapalhão” e “Deus é brasileiro”. Os sete longas-metragens foram produzidos pela Globo Filmes, que lidera o mercado nacional.

Desconsiderando a variação, mas apenas o ano de 2001 e 2008, é como se, hipoteticamente, cada novo filme lançado no período aumentasse o público nacional em apenas 10.785 mil pessoas.

A cadeia produtiva também possui uma variação de crescimento maior no período. As distribuidoras de filmes nacionais aumentaram em 220% e o número de salas cresceu 82,25%, quando comparamos 2001 com 2008.

Causas e efeitos

O diretor José Alvarenga Jr., que estreiou "Os Normais 2" (foto acima) em agosto, acredita que um dos fatores da variação menor do público em relação à produção são as opções de restrição da linguagem cinematográfica que alguns cineastas fazem. Segundo ele, nem todos os realizadores têm o prazer de falar com o grande público.

“Eu acho, por exemplo, que apesar das boas intenções, um filme por ano se comunicou com a massa de 2003 para cá. Um! Mas é muito pouco. Para você ter um público que descobre que o cinema brasileiro é um grande prazer, você tem que ter quatro, cinco filmes encadeados. É isso que faz o cinema americano ser bom, porque daí você faz a sua escolha”, opina Alvarenga. Ele completa: “Falta para a gente ainda essa quantidade de filmes que tenham esse perfil de querer dialogar com o público grande”.

Ismail Xavier (foto abaixo), professor do curso de Audiovisual da USP, aponta outras causas para o público não crescer. “Há vários fatores: domínio do mercado por Hollywood desde os anos 1920; hábitos do público; verbas necessárias à publicidade, cada vez maiores; aspectos da vida urbana (insegurança) que mantêm as pessoas em casa; preço do ingresso do cinema – hoje, uma diversão de classe média”, afirma.

No entanto, o professor acredita que “a distribuição é mesmo o maior gargalo, mas a exibição também é um problema – muitas cidades sem cinema e a concentração dos cinemas numa certa área nas grandes cidades”.

Álvaro de Carvalho Neto, produtor do filme “Manhã Transfigurada”, fala, por outro lado, que a questão está nas artimanhas da lei de Incentivo: “tem muito autor que prefere pegar o dinheiro do governo, filmar e não distribuir o filme. Ele não vai ter prejuízo”.

Ismail não acredita que esta seja uma prática comum. Para ele, “o fato de um filme já estar pago, não significa que o cineasta não se interessa pela exibição, pois isto seria suicídio cultural”. Alvarenga concorda, pois, para ele, um diretor interessado apenas em ganhar dinheiro, não fará um filme com qualidade.

Incentivo

O vale-cultura, projeto de lei do governo Lula, que pretende levar a população de baixa renda aos espetáculos culturais, pode ser uma saída para aumento do público do cinema. Os trabalhadores até cinco salários-mínimos terão um cartão mensal de R$ 50 que poderá ser gasto com cinema, teatro, CDs ou DVDs.

“O vale-cultura é fundamental, porque um dos problemas do cinema brasileiro é o ingresso que é caro para a classe desprivilegiada. Como essa classe consegue ter acesso ao cinema? “Divã”, que eu fiz recente, está pirateado e você encontra por R$ 4 o DVD. Esse público tem acesso à cultura de uma maneira distorcida, o que é ruim para a cadeia toda, é ruim para mim como autor que não ganha copyright para alguém estar ganhando em cima de mim. O vale-cultura reequilibra um pouco esse jogo, as pessoas passam a ter acesso ao conteúdo com a qualidade que ele foi pensado”, defende Alvarenga.
Abril Online, Rafael Kato, 28/08/2009.

7 de setembro de 2009

Claudia Andujar



Lançamento do livro e da exposição fotográfica "Marcados" de Cláudia Andujar sobre os índios marcados por números, com texto de Stella Senra








Festival do Rio tem competidores fortes do cinema nacional

A lista dos longas-metragens de ficção e documentários da Première Brasil do Festival do Rio, que acontece de 24 de setembro a 8 de outubro tem nomes de peso do cinema nacional. A disputa do prêmio Redentor vai ser acirrada entre Beto Brant, Suzana Amaral, Sergio Bianchi, Sandra Werneck e Karim Ainouz e Marcelo Gomes, além dos longas de estréia de Marco Ricca, Paulo Halm e Esmir Filho (premiado curta-metragista do cultuado na internet "Tapa na pantera"). “Olhos azuis” (foto), de José Jofilly, vencedor do Festival de Paulínia, vai ser exibido hours concours. Veja aqui a lista completa abaixo.


FILMES DE FICÇÃO - COMPETIÇÃO


1) BELLINI E O DEMÔNIO, de Marcelo Galvão (90 min, SP)


2) CABEÇA A PRÊMIO, de Marco Ricca (104 min, SP)

3) DO COMEÇO AO FIM, de Aluizio Abranches (95 min, RJ)


4) HISTÓRIAS DE AMOR DURAM APENAS 90 MINUTOS, de Paulo Halm (90 min, RJ)

5) HOTEL ATLÂNTICO, de Suzana Amaral (107 min, SP)


6) O NATIMORTO, de Paulo Machline (92 min, SP)


7) O AMOR SEGUNDO B. SCHIANBERG, de Beto Brant (80 min, SP)


8) OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE, de Esmir Filho (101 min, SP)

9) OS INQUILINOS, de Sergio Bianchi (SP)

10) SONHOS ROUBADOS, de Sandra Werneck (85 min, RJ)


11) VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO, de Karim Ainouz e Marcelo Gomes (71 min, PE)


HORS CONCOURS - FICÇÃO


12) ANTES QUE O MUNDO ACABE, de Ana Luiza Azevedo (97 min, RS)


13) INSOLAÇÃO, de Daniela Thomas e Felipe Hirsch (100 min, SP)

14) OLHOS AZUIS, de José Joffily (105 min, RJ)


DOCUMENTÁRIO - COMPETIÇÃO

1) À MARGEM DO LIXO, de Evaldo Mocarzel (84 min, SP) (foto acima)
2) BELAIR, de Noa Bressane e Bruno Safadi (80 min, RJ)
3) DZI CROQUETTES, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez (110 min, RJ)
4) REIDY, A CONSTRUÇÃO DA UTOPIA, de Ana Maria Magalhães (77 min, RJ)
5) SEQÜESTRO, de Wolney Atalla (94 min, SP)
6) TAMBORO, de Sergio Bernardes (90 min, RJ)
7) PENAS ALTERNATIVAS, de Lucas Margutti e João Valle (71 min, RJ)

HORS CONCOURS - DOCUMENTÁRIO

8) CIDADÃO BOILESEN, de Chaim Litewski (93 min, RJ)


9) ALÔ, ALÔ THEREZINHA, de Nelson Hoineff (RJ)

10 de junho de 2009

HOME na internet!


O site de vídeos YouTube exibe o primeiro filme que terá lançamentos quase simultâneos nos cinemas e na web. Estréia nas telas de cinema de 50 países e nos computadores de todo o mundo o filme "Home", dirigido por Yann Arthus-Bertrand e produzido pelo cineasta Luc Besson. Assista e baixe grátis até dia 14 de junho aqui! Existem versões em quatro línguas: Francês, Inglês, Alemão e Espanhol. Vale a pena ver nos dois suportes seja no computador quanto nas telonas de cinema! O filme é de uma beleza abstrata com um discurso demolidor sem deixar de ser didático. 

HOME - Making of Brasil




 

25 de março de 2009

Universidade do Algarve promove I Simpósio Internacional em Comunicação, Cultura e Artes

O CIAC - Centro de Investigação em Artes e Comunicação - e o "Mestrado em Comunicação, Cultura e Artes da Universidade do Algarve está a organizar o I Simpósio Internacional em Comunicação, Cultura e Artes que decorrerá no dia 18 de Abril às 10h30 no Anfiteatro 4 do Complexo Pedagógico, Campus Penha.

As intervenções dirigem-se a um público especializado na área das artes e da comunicação e têm como objectivo promover a discussão e potencializar a formação avançada na região do Algarve.

A Comissão Organizadora regozija-se com a participação de oradores convidados de universidades de reconhecido mérito internacional, tais como a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Universidade de São Paulo, Universidade Federal de São Carlos do Brasil, Simon Fraser University do Canadá, entre outras. Os oradores convidados são especialistas em comunicação e artes, com diversos livros publicados na área.

"Integrado neste I Simpósio, está ainda a ser organizado o evento Arte e Media, a realizar no Pátio das Letras no mesmo dia às 21h30. Este evento conta com o lançamento do livro Imagem: Memória e da "edição nº.9 da Revista electrónica Intermídias sobre o tema arte e política.
O livro Imagem: Memória foi organizado pela Profa. Doutora Josette Monzani da Universidade Federal de São Carlos e conta com artigos de professores do Mestrado em Comunicação, Cultura e Artes. A revista será apresentada pelo editor-chefe Prof. Doutor Hudson Moura, da Simon Fraser University, seguida de uma mesa redonda com as organizadoras da edição e professoras da UALG - Gabriela Borges e Mirian Tavares, e o artista plástico e Director da Licenciatura em Artes Visuais da UALg, Xana.

O simpósio e o evento têm o intuito de estimular o debate sobre as artes, a cultura e a comunicação na região, trazendo ao Algarve nomes de referência para discutir temas de grande relevância na contemporaneidade.

O programa do evento será divulgado brevemente. A entrada é gratuita.

Informações e inscrições:
Gabinete de Eventos da FCHS
Sra. Isabel Afonso
Email: gefchs@ualg.pt / Telefone: 289800900 ext.: 7914

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