18 de setembro de 2008

Derek: saudades do vanguardismo intelectual da era jarmaniana

Derek Jarman (1942-1994) um dos mais criativos, experimentais e inovadores cineastas contemporâneos teve também uma das mais apreciadas, prolíficas e ecléticas carreiras nas artes britânicas. Ele começou cedo nas artes plásticas, e foi nesse trânsito entre a arte pictural e a arte performática do cinema amador que ele desenvolveu seus primeiros projetos no final dos anos 60 e durante os anos 70, ganhando notoriedade mundial com Caravaggio em 1986.

Entre seus fiéis colaboradores e amigos, estavam a atriz Tilda Swinton (estrela de sete de seus filmes) e o cineasta Isaac Julien, que acabam de realizar uma homenagem ao diretor através do documentário, Derek. O documentário reúne assim dois olhares distintos: a poesia e a sensibilidade da atriz que em texto off confidencia ao amigo morto suas inquietudes sobre os tempos atuais do cinema britânico, e por outro lado, o trabalho perspicaz e minucioso de pesquisa de arquivo de imagens sobre a vida de Jarman elaborada por Julien.

A base do filme é uma entrevista que o realizador deu em 1990 ao produtor Colin McCabe e o diretor Bernard Rose. Entre “linhas” se configura um homem sobretudo lúcido e sem remorsos. Ao ser perguntado por Jeremy Isaacs, no programa de televisão Face-to-Face, de como gostaria de ser lembrado, ele afirma que gostaria de desaparecer. Pegar todas as suas obras consigo e evaporar. Este desejo é algo que seus amigos e admiradores não deixaram acontecer, não somente seu jardim é conservado com zelo, como a sua obra é considerada como uma das mais importantes e provocadoras de sua época, algo sem igual nas artes britânicas atuais.

Em Derek, temos a oportunidade de conhecer o homem por detrás da obra – o que na verdade são bastante similares e complementares – através de um olhar íntimo e objetivo ao mesmo tempo. O documentário retraça os passos do diretor e sua forte relação com a religião e a homossexualidade, desde a infância, passando pelos tempos da descoberta sexual ao início de sua carreira, até a relação confidente que mantinha com a mãe, uma dona de casa, que tinha um grande senso intelectual e artístico. O espectador pode também acompanhar cronologicamente os últimos 40 anos de toda uma geração de artistas britânicos que influenciou e formatou uma estética punk e gay (queer) das artes contemporâneas na Inglaterra, culminando por marcar a era Tatcher.

O ecletismo de Jarman pode ser conferido através de seus livros, pinturas, colagens, filmes (Sebastienne, Eduardo II), peças de teatro, vídeos performáticos, vídeo-clipes (o vídeo It’s a sin dirigido por Jarman para o grupo Pet Shop Boys é considerado por ele seu melhor trabalho) até o famoso jardim Prospect Cottage em Dungeness, na província de Kent. Este simboliza para os fãs um dos mais apreciados legados de Jarman, que o transformaram num lugar de pelegrinagem e culto.

Suas obras são bastantes voltadas para a visualidade plástica e não é a toa que seu último filme, Blue, foi todo feito sobre uma tela azul. Ativista gay fervoroso, manifestou em prol dos direitos homossexuais tanto no seu trabalho como artista e cineasta, marcando tendências e promovendo movimentos artísticos tanto quanto transformou sua doença (Aids) em um ato de protesto e reivindicação para a comunidade gay britânica.

Os tempos pós-Jarman são outros, como afirma Swinton em seu texto, o cinema de hoje determina sucesso em termos de bilheteria e audácia artística em termos de individualismo. A atriz sente saudades do amigo e de uma geração que acabou perdendo a sua própria “espiritualidade”. A cultura fílmica atual isola e paralisa vozes originais em nome de um cinema comercial de grandes orçamentos sem visão artística ou experimentalismos.

O documentário estreou no aniversário da morte do diretor em 19 de fevereiro deste ano na Inglaterra, passou pelo Festival do Cinema Queer de Vancouver e segue para o Mix Brasil em Novembro.

Leia aqui o texto que deu origem ao documentário, escrito por Tilda Swinton para o Festival de cinema de Edinburgh em 2002 e publicado pela revista Vertigo.

Hudson Moura

9 de setembro de 2008

"CHICO XAVIER, um herói brasileiro no universo da edição popular" de Magali Oliveira Fernandes





Dia 20 de setembro de 2008, sábado, das 15h às 18h30
Livraria Martins Fontes/Paulista
Avenida Paulista, 509 - Estação Brigadeiro
São Paulo - SP
(11) 2167-9900
(estacionamento: Rua Manoel da Nóbrega, 95)

Formato 17x24cm, 254 páginas, R$ 35,00
ISBN 978-85-7419-836-1

"Nos últimos vinte anos, vários cientistas sociais brasileiros estudaram a expressão religiosa espírita. Houve trabalhos excelentes sobre a história, as modalidades, formas de organização e referentes simbólicos do kardecismo brasileiro. Nesses trabalhos, a figura de Chico Xavier está sempre presente mas, até agora, nenhum – do meu conhecimento – abordou, assim como Magali, a relação entre a forma estética de um jovem pouco letrado e a subseqüente produção literária do médium mais famosos do Brasil."

Do prefácio de Marion Aubrée

Sumário sintetizado

Apresentação Emília Santos Coutinho

Introdução Das páginas de um diário à elaboração deste livro

Capítulo 1 A construção da figura Chico Xavier: pessoa e personagem

Capítulo 2 Uma biografia em movimento

Capítulo 3 O caderno: uma biblioteca à base de tesoura e cola

Pósfacio Cecília Almeida Salles

20 de junho de 2008

Mão na Lata: fotografia artesanal






Confira mais sobre o trabalho do grupo Mão na lata, projeto realizado por Tatiana Altberg, na revista Z Cultural da UFRJ

11 de janeiro de 2008

"Post-scriptum sobre as sociedades de controle" por Gilles Deleuze


I. Histórico

Foucault situou as sociedades disciplinares nos séculos XVIII e XIX; atingem seu apogeu no início do século XX. Elas procedem à organização dos grandes meios de confinamento. O indivíduo não cessa de passar de um espaço fechado a outro, cada um com suas leis: primeiro a família, depois a escola (“você não está mais na sua família”), depois a caserna (“você não está mais na escola”), depois a fábrica, de vez em quando o hospital, eventualmente a prisão, que é o meio de confinamento por excelência. É a prisão que serve de modelo analógico: a heroína de Europa 51 pode exclamar, ao ver operários, “pensei estar vendo condenados...”. Foucault (foto acima) analisou muito bem o projeto ideal dos meios de confinamento, visível especialmente na fábrica: concentrar; distribuir no espaço; ordenar no tempo; compor no espaço-tempo uma força produtiva cujo efeito deve ser superior à soma das forças elementares. Mas o que Foucault também sabia era da brevidade deste modelo: ele sucedia às sociedades de soberania cujo objetivo e funções eram completamente diferentes (açambarcar, mais do que organizar a produção, decidir sobre a morte mais do que gerir a vida); a transição foi feita progressivamente, e Napoleão parece ter operado a grande conversão de uma sociedade à outra. Mas as disciplinas, por sua vez, também conheceriam uma crise, em favor de novas forças que se instalavam lentamente e que se precipitariam depois da Segunda Guerra mundial: sociedades disciplinares é o que já não éramos mais, o que deixávamos de ser.

Encontramo-nos numa crise generalizada de todos os meios de confinamento, prisão, hospital, fábrica, escola, família. A família é um “interior“, em crise como qualquer outro interior, escolar, profissional, etc. Os ministros competentes não param de anunciar reformas supostamente necessárias. Reformar a escola, reformar a indústria, o hospital, o exército, a prisão; mas todos sabem que essas instituições estão condenadas, num prazo mais ou menos longo. Trata-se apenas de gerir sua agonia e ocupar as pessoas, até a instalação das novas forças que se anunciam. São as sociedades de controle que estão substituindo as sociedades disciplinares. “Controle” é o nome que Burroughs propõe para designar o novo monstro, e que Foucault reconhece como nosso futuro próximo. Paul Virillo também analisa sem parar as formas ultrarápidas de controle ao ar livre, que substituem as antigas disciplinas que operavam na duração de um sistema fechado. Não cabe invocar produções farmacêuticas extraordinárias, formações nucleares, manipulações genéticas, ainda que elas sejam destinadas a intervir no novo processo. Não se deve perguntar qual é o regime mais duro, ou o mais tolerável, pois é em cada um deles que se enfrentam as liberações e as sujeições. Por exemplo, na crise do hospital como meio de confinamento, a setorização, os hospitais-dia, o atendimento a domicílio puderam marcar de início novas liberdades, mas também passaram a integrar mecanismos de controle que rivalizam com os mais duros confinamentos. Não cabe temer ou esperar, mas buscar novas armas.


II. Lógica

Os diferentes internatos ou meios de confinamento pelos quais passa o indivíduo são variáveis independentes: supõe-se que a cada vez ele recomece do zero, e a linguagem comum a todos esses meios existe, mas é analógica. Ao passo que os diferentes modos de controle, os controlatos, são variações inseparáveis, formando um sistema de geometria variável cuja linguagem é numérica (o que não quer dizer necessariamente binária). Os confinamentos são moldes, distintas moldagens, mas os controles são uma modulação, como uma moldagem auto-deformante que mudasse continuamente, a cada instante, ou como uma peneira cujas malhas mudassem de um ponto a outro. Isto se vê claramente na questão dos salários: a fábrica era um corpo que levava suas forças internas a um ponto de equilíbrio, o mais alto possível para a produção, o mais baixo possível para os salários; mas numa sociedade de controle a empresa substituiu a fábrica, e a empresa é uma alma, um gás. Sem dúvida a fábrica já conhecia o sistema de prêmios mas a empresa se esforça mais profundamente em impor uma modulação para cada salário, num estado de perpétua metaestabilidade, que passa por desafios, concursos e colóquios extremamente cômicos. Se os jogos de televisão mais idiotas têm tanto sucesso é porque exprimem adequadamente a situação de empresa. A fábrica constituía os indivíduos em um só corpo, para a dupla vantagem do patronato que vigiava cada elemento na massa, e dos sindicatos que mobilizavam uma massa de resistência; mas a empresa introduz o tempo todo uma rivalidade inexpiável como sã emulação, excelente motivação que contrapõe os indivíduos entre si e atravessa cada um, dividindo-o em si mesmo. O princípio modulador do “salário por mérito” tenta a própria Educação nacional: com efeito, assim como a empresa substitui a fábrica, a formação permanente tende a substituir a escola, e o controle contínuo substitui o exame. Este é o meio mais garantido de entregar a escola à empresa.

Nas sociedades de disciplina não se parava de recomeçar (da escola à caserna, da caserna à fábrica), enquanto nas sociedades de controle nunca se termina nada, a empresa, a formação, o serviço sendo os estados metaestáveis e coexistentes de uma mesma modulação, como que de um deformador universal. Kafka, que já se instalava no cruzamento dos dois tipos de sociedade, descreveu em O processo as formas jurídicas mais temíveis: a quitação aparente das sociedades disciplinares (entre dois confinamentos), a moratória ilimitada das sociedades de controle (em variação contínua) são dois modos de vida jurídicos muito diferentes, e se nosso direito, ele mesmo em crise, hesita entre ambos, é porque saímos de um para entrar no outro. As sociedades disciplinares têm dois pólos: a assinatura que indica o indivíduo, e o número de matrícula que indica sua posição numa massa. É que as disciplinas nunca viram incompatibilidade entre os dois, e é ao mesmo tempo que o poder é massificante e individuante, isto é, constitui num corpo único aqueles sobre os quais se exerce, e molda a individualidade de cada membro do corpo (Foucault via a origem desse duplo cuidado no poder pastoral do sacerdote - o rebanho e cada um dos animais - mas o poder civil, por sua vez, iria converter-se em “pastor” laico por outros meios). Nas sociedades de controle, ao contrário, o essencial não é mais uma assinatura e nem um número, mas uma cifra: a cifra é uma senha, ao passo que as sociedades disciplinares são reguladas por palavras de ordem (tanto do ponto de vista da integração quanto da resistência). A linguagem numérica do controle é feita de cifras, que marcam o acesso à informação, ou a rejeição. Não se está mais diante do par massa-indivíduo. Os indivíduos tornaram-se “dividuais”, divisíveis, e as massas tornaram-se amostras, dados, mercados ou “bancos”. É o dinheiro que talvez melhor exprima a distinção entre as duas sociedades, visto que a disciplina sempre se referiu a moedas cunhadas em ouro - que servia de medida padrão -, ao passo que o controle remete a trocas flutuantes, modulações que fazem intervir como cifra uma percentagem de diferentes amostras de moeda. A velha toupeira monetária é o animal dos meios de confinamento, mas a serpente o é das sociedades de controle. Passamos de um animal a outro, da toupeira à serpente, no regime em que vivemos, mas também na nossa maneira de viver e nas nossas relações com outrem. O homem da disciplina era um produtor descontínuo de energia, mas o homem do controle é antes ondulatório, funcionando em órbita, num feixe contínuo. Por toda parte o surf já substituiu os antigos esportes.

É fácil fazer corresponder a cada sociedade certos tipos de máquina, não porque as máquinas sejam determinantes, mas porque elas exprimem as formas sociais capazes de lhes darem nascimento e utilizá-las. As antigas sociedades de soberania manejavam máquinas simples, alavancas, roldanas, relógios; mas as sociedades disciplinares recentes tinham por equipamento máquinas energéticas, com o perigo passivo da entropia e o perigo ativo da sabotagem; as sociedades de controle operam por máquinas de uma terceira espécie, máquinas de informática e computadores, cujo perigo passivo é a interferência, e o ativo a pirataria e a introdução de vírus. Não é uma evolução tecnológica sem ser, mais profundamente, uma mutação do capitalismo. É uma mutação já bem conhecida que pode ser resumida assim: o capitalismo do século XIX é de concentração, para a produção, e de propriedade. Por conseguinte, erige a fábrica como meio de confinamento, o capitalista sendo o proprietário dos meios de produção, mas também eventualmente proprietário de outros espaços concebidos por analogia (a casa familiar do operário, a escola). Quanto ao mercado, é conquistado ora por especialização, ora por colonização, ora por redução dos custos de produção. Mas atualmente o capitalismo não é mais dirigido para a produção, relegada com frequência à periferia do Terceiro Mundo, mesmo sob as formas complexas do têxtil, da metalurgia ou do petróleo. É um capitalismo de sobre-produção. Não compra mais matéria-prima e já não vende produtos acabados: compra produtos acabados, ou monta peças destacadas. O que ele quer vender são serviços, e o que quer comprar são ações. Já não é um capitalismo dirigido para a produção, mas para o produto, isto é, para a venda ou para o mercado. Por isso ele é essencialmente dispersivo, e a fábrica cedeu lugar à empresa. A família, a escola, o exército, a fábrica não são mais espaços analógicos distintos que convergem para um proprietário, Estado ou potência privada, mas são agora figuras cifradas, deformáveis e transformáveis, de uma mesma empresa que só tem gerentes. Até a arte abandonou os espaços fechados para entrar nos circuitos abertos do banco. As conquistas de mercado se fazem por tomada de controle e não mais por formação de disciplina, por fixação de cotações mais do que por redução de custos, por transformação do produto mais do que por especialização da produção. A corrupção ganha aí uma nova potência. O serviço de vendas tornou-se o centro ou a “alma” da empresa. Informam-nos que as empresas têm uma alma, o que é efetivamente a notícia mais terrificante do mundo. O marketing é agora o instrumento de controle social, e forma a raça impudente dos nossos senhores. O controle é de curto prazo e de rotação rápida, mas também contínuo e ilimitado, ao passo que a disciplina era de longa duração, infinita e descontínua. O homem não é mais o homem confinado, mas o homem endividado. É verdade que o capitalismo manteve como constante a extrema miséria de três quartos da humanidade, pobres demais para a dívida, numerosos demais para o confinamento: o controle não só terá que enfrentar a dissipação das fronteiras, mas também a explosão dos guetos e favelas.


III. Programa

Não há necessidade de ficção científica para se conceber um mecanismo de controle que dê, a cada instante, a posição de um elemento em espaço aberto, animal numa reserva, homem numa empresa (coleira eletrônica). Félix Guattari imaginou uma cidade onde cada um pudesse deixar seu apartamento, sua rua, seu bairro, graças a um cartão eletrônico (dividual) que abriria as barreiras; mas o cartão poderia também ser recusado em tal dia, ou entre tal e tal hora; o que conta não é a barreira, mas o computador que detecta a posição de cada um, lícita ou ilícita, e opera uma modulação universal.

O estudo sócio-técnico dos mecanismos de controle, apreendidos em sua aurora, deveria ser categorial e descrever o que já está em vias de ser implantado no lugar dos meios de confinamento disciplinares, cuja crise todo mundo anuncia. Pode ser que meios antigos, tomados de empréstimo às antigas sociedades de soberania, retornem à cena, mas devidamente adaptados. O que conta é que estamos no início de alguma coisa. No regime das prisões: a busca de penas “substitutivas”, ao menos para a pequena delinqüência, e a utilização de coleiras eletrônicas que obrigam o condenado a ficar em casa em certas horas. No regime das escolas: as formas de controle contínuo, avaliação contínua, e a ação da formação permanente sobre a escola, o abandono correspondente de qualquer pesquisa na Universidade, a introdução da “empresa” em todos os níveis de escolaridade. No regime dos hospitais: a nova medicina “sem médico nem doente”, que resgata doentes potenciais e sujeitos a risco, o que de modo algum demonstra um progresso em direção à individuação, como se diz, mas substitui o corpo individual ou numérico pela cifra de uma matéria “dividual” a ser controlada. No regime da empresa: as novas maneiras de tratar o dinheiro, os produtos e os homens, que já não passam pela antiga forma-fábrica. São exemplos frágeis, mas que permitiriam compreender melhor o que se entende por crise das instituições, isto é, a implantação progressiva e dispersa de um novo regime de dominação. Uma das questões mais importantes diria respeito à inaptidão dos sindicatos: ligados, por toda sua história, à luta contra disciplinas ou nos meios de confinamento, conseguirão adaptar-se ou cederão o lugar a novas formas de resistência contra as sociedades de controle? Será que já se pode apreender esboços dessas formas por vir, capazes de combater as alegrias do marketing? Muitos jovens pedem estranhamente para serem “motivados”, e solicitam novos estágios e formação permanente; cabe a eles descobrir a que estão sendo levados a servir, assim como seus antecessores descobriram, não sem dor, a finalidade das disciplinas. Os anéis de uma serpente são ainda mais complicados que os buracos de uma toupeira.



Gilles Deleuze
Conversações: 1972-1990. Rio de Janeiro, Editora 34, 1992, p. 219-226. Tradução de Peter Pál Pelbart. Texto original "Post-scriptum sur les sociétés de contrôle" escrito para L'autre journal, nro 1, maio de 1990, e publicado em Pourparlers, Les éditions de Minuit, 1990, pp. 240-247.

28 de dezembro de 2007

Sundance 2008
A programação do Festival de filmes Sundance 2008, que começa no próximo dia 17 em Salt Lake City, Utah, como sempre previlegia o cinema independente americano e as co-produções internacionais. O instituto Sundance, capitaneado pelo ator e diretor Robert Redford, financia co-produções e organiza workshops anualmente onde ajuda a desenvolver roteiros com produtores e diretores independentes de outros países, como foi o caso do cineasta brasileiro Walter Salles e do cineasta mexicano Guillermo Iñarritu. O filme de abertura do festival é In Bruges do irlandês Martin McDonagh com Colin Farrell e Brendan Gleeson (foto acima) no elenco.

Os cineastas brasileiros Juliana Rojas e Marco Dutra estão entre os 12 selecionados na categoria novos projetos de diretores estreantes, com o filme Trabalhar Cansa. Entre outros, concorrem Radu Jude (Romênia), Paz Fabrega (Costa Rica), Braden King (EUA) e Akira Ichinose (Japão). Quatro vencedores serão anunciados em janeiro.
Baixe aqui o catálogo do Festival (inglês) em pdf com a lista completa dos filmes selecionados.

Curta brasileiro vence concurso no Youtube
O brasileiro "Laços" foi o vencedor do concurso internacional de curtas do YouTube, o Project Direct. O filme de Flávia Lacerda terá sessão especial no Festival de Sundance, em janeiro, e seus produtores ganharão US$ 5.000. Clarice, 18, protagonista do curta, filha de Adriana e João Falcão, que cantou na trilha de "Lisbela", também compôs música do vídeo "Laços". A exibição em Sundance faz parte do prêmio. A história da menina que conhece um rapaz bizarro após a morte do pai superou ao menos 19 produções de outros cinco países que estavam na final, mais dezenas que não chegaram perto. O vídeo custou pouco mais de R$ 2.000, rendeu US$ 5.000 e deu a Clarice aquela espécie de reconhecimento imediato que a internet permite. Até a noite da última quinta-feira, sua atuação tinha sido vista 800 mil vezes. Os outros ganhadores foram "Gone in a flash" de Jacob Lewis "My name is Lisa" de Ben Shelton.

Assista o ótimo "Laços" abaixo:




Associação Cultural leva o cinema brasileiro para o Canadá
A Associação Cultural Jangada, responsável pelo Festival de Cinema Brasileiro em Paris, que completará dez anos em 2008, levou a produção brasileira também para o Canadá. Na sexta-feira, dia 14 de dezembro, teve início o Festival du Film Brésilien de Montreal, evento que exibiu 11 títulos, entre ficção e documentários da recente safra brasileira, além de uma mostra com curtas-metragens de animação. Este é o segundo evento do gênero organizado pela Jangada que realizou em Toronto o Brazil Film Fest, lotando a platéia do Royal Ontario Museum. Na programação do festival, “Mulheres do Brasil” (Malu De Martino); “A Máquina” (João Falcão); “Antônia” (Tata Amaral); “O Cheiro do Ralo” (Heitor Dhalia); “Cartola, Música para os Olhos” (Lírio Ferreira e Hilton Lacerda); “Faixa de Areia” (Daniela Kallmann e Flávia Lins e Silva) e “Bendito Fruto” (Sérgio Goldenberg). O Festival du Film Brésilien acontece até 20 de dezembro. Mais informações pelo www.brazilfilmfest.net. Fonte: JB

APCA anuncia vencedores em 9 categorias
A APCA (Associação Paulista dos Críticos de Artes) anunciou os melhores de 2007 nas categorias: artes visuais, cinema, dança, literatura, música popular, rádio, teatro, teatro infantil e televisão. A cerimônia de entrega dos prêmios será em 25 de março. "Jogo de Cena", de Eduardo Coutinho, foi eleito melhor filme; José Padilha, melhor diretor. A exposição "Cinéticos" levou o Grande Prêmio da Crítica em artes plásticas. "O Filho Eterno", de Cristóvão Tezza, ganhou como livro de ficção; "My Fair Lady", espetáculo; e "Paraíso Tropical", novela. Confira aqui a lista completa dos vencedores.
Fonte: Folha de São Paulo



"Tropa de Elite" compete em Berlin e produtor afirma que pirataria ajudou o filme, que também bate recorde de downloads na net

O filme de José Padilha, maior bilheteria do cinema brasileiro este ano, estará entre os 23 que vão disputar a 58.ª edição do evento que acontece em fevereiro. “Tropa de Elite” fará sua estréia internacional no festival, um dos mais importantes do gênero. O brasileiro irá disputar com diretores de várias partes do mundo, como China, México e Alemanha. O filme "Maré, nossa história de amor" (2007) (foto abaixo), da diretora Lúcia Murat, será exibido na sessão Panorama do Festival de Cinema de Berlim, que também apresentará a estréia de Madonna na direção de "Filth and Wisdom" (2008). Além dessas produções, também serão exibidos os filmes espanhóis "Escalofrío" (2008), de Isidro Ortiz, e "Tres días" (2008), de Javier Gutiérrez.

Abrindo o jogo sobre a lógica do negócio de produzir cinema na América Latina, o empresário argentino Eduardo Costantini Jr., que participou da produção do filme "Tropa de Elite", admite que a pirataria do DVD do filme no Brasil teve impactos positivos para o sucesso da produção. Costantini disse que terá lucro com o filme brasileiro. Ele informou ter colocado US$ 2 milhões na produção e espera um retorno de 50% em dois anos, com a carreira internacional da película. A estratégia está traçada: entre o festival norte-americano de Sundance e o de Berlim, na Alemanha, os distribuidores escolheram o segundo. As perspectivas de venda do filme para o mercado europeu são muito grandes, na avaliação do empresário. Ele citou países como França, Itália e Inglaterra em que o filme estrearia em fevereiro.
Fonte: G1/Estadao


Brasil está fora da disputa pelo Globo de Ouro
O Brasil está de fora da disputa pelo Globo de Ouro. Foi divulgada na semana passada a lista dos indicados para a categoria de melhor filme em língua estrangeira. Os candidatos são o romeno que foi Palma de Ouro em Cannes, "4 meses, 3 semanas e 2 dias", de Cristian Mungiu; o polêmico "O Caçador de Pipas", de Marc Forster, de produção americana; o francês "O Escafandro e a Borboleta", de Julian Schnabel; o vencedor do Festival de Veneza, o taiwanês "Lust, Caution", de Ang Lee; e a excelente animação francesa "Persépolis", de Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi. "A Casa de Alice", de Chico Teixeira, "Deserto Feliz", de Paulo Caldas, e "O Ano em que meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburger, haviam sido pré-selecionados para a competição mas não ficaram entre os finalistas.
Fonte: O Globo


Vladimir Carvalho recupera em documentário a trajetória de José Lins do Rego
Cinquenta anos após a morte de José Lins do Rego (1901-1957), o cineasta Vladimir Carvalho (à esquerda na foto com equipe) reconstitui a vida e a personalidade do escritor paraibano no documentário “O Engenho de Zé Lins”. O filme entrou em cartaz em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília na sexta-feira, dia 14 de dezembro. Duplamente premiado no Festival de Brasília 2006 - melhor montagem e prêmio especial do júri -, o filme refaz de maneira apaixonada e original a trajetória do autor. Amigos escritores entrevistados revelam aspectos mais alegres e pitorescos do escritor. Um dos pontos altos está no testemunho da escritora Rachel de Queiroz, que morreu durante a produção do filme, em 2003. Mais emocionado é o longo depoimento do poeta Thiago de Mello. Ele relembra os últimos anos de Lins, quando sofria muito com os efeitos da esquistossomose, o que acarretava hemorragias constantes e grande sofrimento. Há também imagens do antigo engenho pertencente à família Lins do Rego, local hoje em ruínas e ocupado por famílias de sem-terra.
Fonte: JB


Ministério da Cultura publica sete editais
O Ministério da Cultura publicou sete editais de fomento à produção audiovisual. As inscrições para os editais, que destinam R$ 9,8 milhões, podem ser feitas até o dia 29 de fevereiro de 2008. Os editais são para série de animação para TV (dez projetos com valor de R$ 30mil); curta-metragem, infanto-juvenil (20 projetos com valor de até R$ 60 mil); curta-metragem, gênero animação (dez projetos com o valor de até R$ 60 mil); curta-metragem, projeto social (20 projetos com valor de até R$ 30 mil); curta-metragem (20 projetos com valor de até R$ 80 mil); roteiros cinematográficos (dez projetos com valor de R$50 mil); e longa-metragem (cinco projetos com valor de até R$ 1 milhão). Mais informações estão disponíveis no site www.cultura.gov.br
Fonte: Tela Viva

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